sexta-feira, 28 de agosto de 2026

 
O PAÍS DO FUTEBOL, DA BOSSA NOVA... OU?

O país do surf

Em todos os anos de Copa sempre ficamos com uma grande expectativa, desde os anos 1960, quando estabelecemos uma hegemonia que durou décadas. O futebol brasileiro angariou um respeito que atingiu seu ápice com o tri em 1970, nos EUA em 1994 veio o tetra, depois o penta em 2002 no Japão, e, agora... Devemos aguardar até 2030.

CAPA DO ESTADÃO APÓS O SEGUNDO JOGO NA COPA DE 2026, MATEUS CUNHA, AMIGO DO LIDER DO RANKING ÍTALO FERREIRA E SURFISTA ELE PRÓPRIO, HOMENAGEOU O ESPORTE BRASILEIRO MAIS HEGEMÔNICO NESTA DÉCADA DE 20. NO SURF O HEXA JÁ VEIO. PASSAMOS DISSO...

Neste novo milênio, principalmente a partir de 2014, o surf é o esporte que tem trazido uma coleção de glórias para nosso país e o ano de 2026 não começou diferente. Chegamos a dominar mais da metade das 10 primeiras posições no ranking até o meio da temporada. 

RANKING ENTRE AS ETAPAS DO TAHITI E FIJI COM AS BANDEIRAS BRASILEIRAS ENCABEÇANDO A LISTA

É prematuro sacramentar que mais um título virá para nosso país quando o circuito da Liga Mundial de Surf (WSL) for encerrado com a etapa de Pipeline no Hawaii em dezembro, mas temos 8 títulos dos últimos 11 disputados. Uma supremacia contundente que ficará para a história que continuarei contando através deste blog, com meus livros e minha participação na imprensa do surf desde os anos 1980.

Agradeço a compreensão dos amigos que aguardam a publicação do VOL. 2 (de 5) da coleção “A Grande História do Surf Brasileiro”, mas aguardem que todos virão. É apenas uma fase sabática, mas minha paixão pelo surf e pelo jornalismo do esporte\estilo de vida não esmorecerá jamais.

Aproveito a oportunidade para publicar aqui mais algumas páginas embrionárias do segundo volume que continua na encubadeira. Todos os cinco livros abrem com uma sequência de três páginas duplas que dou os títulos: OS SURFISTAS – AS PRAIAS – OS CAMPEONATOS e aqui vão as do segundo livro e ilustro também (para vocês terem uma referência), com as que já foram publicadas no primeiro volume que está disponível na web:

https://loja.globaleditora.com.br/produtos/a-grande-historia-do-surf-brasileiro-volume-i/           

PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1, LIPE DYLONG E HELIO COQUINHO EM UBATUBA 1975 EM FOTOGRAFIA DE KLAUS MITTELDORF

ESTA SERÁ A DUPLA OS SURFISTAS NO VOL.2 BETÃO NA PRAIA DO PEPINO EM FOTOGRAFIA DE TUNICO DI BIASI, ABAIXO UMA PRÉVIA DO TEXTO

OS SURFISTAS

Roberto Marques de Souza, surfista carioca conhecido como Betão, foi considerado por muitos dos pioneiros que entrevistei como o melhor surfista brasileiro nos anos 1970. Seu estilo singular e a performance segura em ondas de todos os tamanhos logo o alçaram a ser um dos mais respeitados surfistas brasileiros quando se cristalizou aquela primeira geração de surfistas mais “hardcore” no Brasil, a turma iluminada que se formou no Rio de Janeiro, forjada nas ondas do Arpoador, no Píer de Ipanema e em Saquarema. Betão começou a brilhar naqueles Festivais de Surf, venceu o primeiro campeonato de Saquarema, em ondas de respeito e de forma convincente. Foi finalista em Ubatuba e no Píer. Ele poderia ser um dos Ícones destacados nestes livros, mas fica aqui este registro nesta bela fotografia publicada na revista Brasil Surf.

 
PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1, FERNANDO DE NORONHA EM IMAGEM DO SAUDOSO ALBERTO SODRÉ, GÊNIO DAS FOTOS AQUÁTICAS

 
UMA DAS OPÇÕES QUE TENHO EM MENTE PARA O SEGUNDO LIVRO É ESTA FOTOGRAFIA ÁEREA DO LITORAL NORTE DE SÃO PAULO. BARRA DO SAHY EM PRIMEIRO PLANO, PRAIA DA BALEIA, CAMBURY, BOIÇUCANGA E A SERRA DE MARESIAS, COM A ILHABELA AO FUNDO

AS PRAIAS

As regiões mais famosas e procuradas para o surf no Brasil serão apresentadas em grandes capítulos, com mapas e muitas fotos ao longo dos volumes. No primeiro livro a cidade do Rio Janeiro e Saquarema foram destacadas. Neste livro 2, vinte páginas são dedicadas ao Guarujá e no quarto volume desta obra um capítulo apresentará o litoral norte do Estado de São Paulo. Entre a Baixada Santista e São Sebastião, até os anos 1980, uma estrada de terra de 100 quilômetros nos levava por um trecho do litoral ligando os Municípios de Bertioga até São Sebastião que intitulávamos de “As Praias”. Uma região imaculada, com praias virgens, ondas perfeitas e clima ameno. Se olharmos o mapa do Brasil, como um todo, é possível perceber que o litoral de São Paulo fica abrigado em uma imensa baía com seus extremos em Arraial do Cabo (RJ) e a Ilha de Santa Catarina ao Sul, livre da água gelada e com ventos mais amenos, porém, muitas ondas.

 
PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1, O POINT DE ITAÚNA EM DIA DE ONDAS ÉPICAS PARA UMA ETAPA DA ASP. FOTO DE NILTON BAPTISTA

AQUI UMA VIAGEM DO DRAGÃO, ESTE ANO COMPLETEI 70 ANOS, MAS NÃO ME FURTO DE APELAR PARA IA. UMA IMAGEM COMO ESSA, TENHO A CERTEZA DE QUE ALGUM DE MEUS AMIGOS FOTÓGRAFOS QUE COBRIAM OS EVENTOS DE SURF DOS ANOS 1980 TERÁ EM SEU ACERVO. PARA FORMAR ESTA IMAGEM PEDI PARA A “AI”: GERE UMA IMAGEM ASSIM, ASSADO E VEJAM O QUE VEIO!! É ASSUSTADOR, MAS PARECE REAL

O primeiro livro lancei em 2019 e a “AI” (ou IA) era um bebê engatinhando e não usei absolutamente nada dela para produzir o primeiro livro, agora confesso que não me furtarei a utilizar o artifício.

Aqui segue uma potencial legenda, ainda em elaboração, que será lapidada ao encontrar a imagem ideal e me inspirar para desenvolver o texto:

OS CAMPEONATOS

No meio dos anos 1980, o que foi concebido em Ubatuba por Paulo Issa como os primeiros “grandes” campeonatos de surf do Brasil, começou a tomar proporções faraônicas com palanques cada vez maiores, barracas das marcas de surf nas areias, arquibancadas montadas nas praias, inscritos e premiações crescentes... Tudo isso foi viabilizado pela indústria do surfwear nacional que crescia de forma exponencial e podia investir nos atletas e nestes eventos. Foi se formando um mercado sólido que gerava lucros e tinha a visão de reinvestir no crescimento do esporte. As marcas de moda surf bebiam na fonte gerada pelo próprio ambiente que produziam. A equação de marketing, importada das marcas internacionais era simples: investimento nos surfistas com patrocínio, em campeonatos para que exibissem o talento e nas revistas, a principal mídia da ocasião. Bingo: o mercado explodiu no Brasil.

 

Bem, isso é apenas mais um breve aperitivo do segundo livro, que da mesma forma que o primeiro, já publicado, terá 132 páginas. A coleção completa somará 660 páginas. Valerá aguardar. Continuo trabalhando.

E para manter a tradição vamos com as dicas de disco, livro e filme.

 

AS BAFORADAS DO DRAGÃO

UM DISCO


UM LIVRO


UM FILME




 

UM DISCO – GETZ / GILBERTO – Stan Getz e João Gilberto featuring Antonio Carlos Jobim

Esse foi o primeiro disco envolvendo brasileiros que venceu um Grammy, na categoria jazz. Foi lançado em setembro de 1964. Foi este maravilhoso álbum que ergueu a Bossa Nova ao “estrelato” nos EUA. O Brasil já tinha duas Copas (1958 e 62), e naquele ano de 1964 o surf com longboards de fibra de vidro seria introduzido nas praias do Rio, com uma nova forma de abordagem e ataque às ondas apresentada por Peter Troy. As Madeirites brasileiras virariam peças de museu.

 
A CONTRACAPA DO DISCO COM JOÃO GILBERTO AO VIOLÃO, TOM JOBIM NO PIANO E STAN GETZ DA FILADÉLFIA COM O SAXOFONE

O disco foi lançado pela Verve Records e tinha a produção de Creed Taylor, que em breve se transformaria em um dos maiores empresários do jazz com a CTI Records (Creed Taylor Incorporation). Este álbum abre com uma versão da Garota de Ipanema, música criada por Tom Jobim ao lado de Vinícius de Morais. Talvez não, com certeza, uma das músicas que teve mais versões por uma infinidade de intérpretes e covers gravadas ao redor do planeta em dezenas de países.

No disco a música tem mais de 5 minutos e é apresentada em quatro camadas totalmente hipnóticas, iniciando apenas com o violão e a voz de João Gilberto cantando em português. Em um segundo momento a primeira esposa de João – Astrud Gilberto, entra cantando em inglês com uma suavidade de fazer páreo ao gênio da música brasileira. Não à toa ambos geraram Bebel, uma magnífica cantora. A terceira camada é o solo instrumental de Stan Getz, com seu estilo de tocar o sax que ganhou fama internacional. Para finalizar vem Antônio Carlos Jobim, o criador da melodia, solando com seu piano - “wonderful”. E a música fecha com o retorno dos vocais.

TRACK LISTING, A SEQUÊNCIA DAS FAIXAS.

Além de Tom e Vinícius o álbum traz músicas de Ary Barroso, Dorival Caymmi, Newton Mendonça e Antônio Almeida. Uma versão maravilhosa de Corcovado, transportada por Gene Lees para o inglês, sem contar a versão de The Girl From Ipanema, e sua letra adaptada por Norman Gimbel, mais tarde vencedor de canção original para o Oscar e que tem no currículo participação nas letras de Killing Me Softly With His Song e também Sway. Mas o ponto alto do disco é a voz de João Gilberto.

Getz/Gilberto até hoje é um dos discos de jazz mais vendidos da história, ficou no topo das paradas em 1964 a 1965. O futebol e a música eram duas esferas em que o Brasil ganhou notoriedade singular a partir dos anos 1960. A explosão de nosso talento no surf foi se dar apenas na década de 10 do novo milênio e houve um capitão.

 

 

UM LIVRO – COMO SE TORNAR UM CAMPEÃO – A HISTÓRIA DE ADRIANO DE SOUZA – Márcia Vieira

Nosso Mineirinho do Guarujá tem uma história magnífica de talento e muito esforço. Esta história, escrita pela jornalista carioca Márcia Vieira traz detalhes de uma carreira espetacular em que os subtítulos dos nove capítulos iniciais trazem características que nos fazem admirar Adriano, a saber: 1) Obstinação, 2) Disciplina, 3) Paixão, 4) Resiliência, 5) Foco, 6) Autocontrole, 7) Humildade, 8) Superação, 9) Ousadia. O décimo capítulo descreve a formação da Tempestade Brasileira, da qual Mineirinho foi proclamado por seus próprios pares como “O Capitão”. Os capítulos seguintes, quatorze ao todo, descrevem em detalhes o ano do título – 2015.

ABERTURA DE UM DOS CAPÍTULOS

Foi uma jornada repleta de desafios, diversos deles descritos de forma surpreendente neste livro lançado em 2017, quando o Brasil detinha apenas dois títulos, o de Gabriel Medina em 2014 e o de Mineirinho em 2015. A narrativa de Márcia, jornalista experiente que já trabalhou em veículos como o Jornal do Brasil, O Globo, O Estadão e Jornal dos Sports, formada na UFRJ segue uma forma linear e basicamente cronológica. Ela conversou muito com Adriano e conseguiu abstrair passagens pitorescas e complicadas de uma carreira cheia de dificuldades, mas que consumou um objetivo de vida com a obtenção do título, lastreado por todos os adjetivos listados acima.

No início Adriano de Souza passou por perrengues, alguns deles relembrados para o livro, difíceis de acreditar para um jovem garoto que despontou em uma comunidade praiana do litoral paulista. Lembro dele, garotinho, voando com desenvoltura na valinha do Canto do Maluf, em Pitangueiras. Luiz Henrique Saboia de Campos “Pinga”, percebeu o diamante bruto e tratou de lapidá-lo. O leitor desliza pela história de Adriano, suas aventuras e desventuras, seus patrocínios e incentivadores que participaram e ajudaram em sua evolução. Através de uma narrativa muito bem elaborada por Márcia, culmina com o dia em que Mineirinho venceu o Pipeline Masters e conquistou o título mundial, em uma mesma tacada, na maior arena do surf mundial.

DEZEMBRO DE 2015 SINERGIA ILUMINADA PARA A GLÓRIA MÁXIMA DE UM ESPORTISTA

A jornada de Adriano para atingir seu objetivo principal é abordada em quase todos seus aspectos ao longo do livro, que finaliza com um abrangente capítulo de agradecimentos. Em meu primeiro volume de “A Grande História do Surf Brasileiro”, também finalizo com uma página dupla chamando para o que virá nos próximos volumes. Adriano é o protagonista. Lançado em 2019, uma grande expectativa na ocasião era com relação às Olimpíadas de Tóquio 2020, nenhuma pandemia estava no horizonte.

PÁGINA DE ENCERRAMENTO DE MEUS TEXTOS NO VOL. 1

Quando parti para fazer a primeira vernissagem do livro, na etapa brasileira da WSL em Saquarema no primeiro semestre de 2019, Adriano de Souza foi presenteado com o primeiro livro que autografei na Casa Corona. Duas de minhas postagens preferidas no Blog Histórias do Surf, são as que fiz no final de 2015, logo após a emblemática conquista de Mineirinho. Deixo os links aqui, mas voltem para esta postagem pois tem mais belas histórias e um filme \ documentário excepcional indicado abaixo.

https://surfdragonblog.blogspot.com/2015/12/retrospectiva-2015.html

https://surfdragonblog.blogspot.com/2015/12/adriano-mineirinho-campeao-do-mundo.html

O DRAGÃO E O CAPITÃO, CRIAS DO GUARUJÁ

NA PRAIA DE ITAUNA, SAQUAREMA 2019

 

UM FILME – BRASIL SURF DOC. – Massangana Filmes

Um documentário de alto nível, produzido naquele estilo com imagens de arquivo muito bem garimpadas e ancorado em entrevistas variadas e elucidativas. Narrado pelo surfista Evandro Mesquita, que viveu o mundo do surf naqueles anos 1970, traz autenticidade com a empolgação que lhe é peculiar e merecida para uma celebração desta envergadura.

PEPÊ LOPES SURFANDO NO HAWAII, AS IMAGENS NA ABERTURA DO FILME COM OS CRÉDITOS SÃO FANTÁTICAS. NO FINAL MAIS AINDA

A revista Brasil Surf que durou de 1975 até 1979 foi o marco inicial para a imprensa do surf no Brasil. Um produto admirável como revista e é destrinchado em todos os seus aspectos neste doc. A trilha sonora da época é dosada de forma magistral e a narrativa do início transporta o espectador para relatos de Bocão, Rico, Otávio... Ícones do surf brasileiro e daquelas revistas, dos principais responsáveis pela produção da revista Alberto Pecegueiro e Flávio Dias, dos fotógrafos que eram os verdadeiros alicerces. A colagem de imagens ao final, ambientada ao som de Raul Seixas, considero o ponto mais inebriante do filme.

DEPOIMENTOS FANTÁSTICOS

As imagens, diversas páginas da revista reproduzidas, trechos do filme Nas Ondas do Surf produzido por Maraca, e Terral de Klaus Mitteldorf, buscas no Arquivo NACIONAL, no Cedoc da Globo e diversas fontes particulares, são de tirar o chapéu. Brasil Surf Doc., produzido impecavelmente pela Massangana Filmes e pelo Grupo Sal, são amarrados por um roteiro bem desenvolvido de:

 

No ano de 2014 tive o prazer de scanear cada uma das capas de minha coleção com as 19 revistas BRASIL SURF e fazer uma postagem colocando uma breve descrição de conteúdo delas.

https://surfdragonblog.blogspot.com/2014/02/brasil-surf.html

 

Cliquem no link abaixo para assistir ao filme, com legendas em inglês (áudio em português), pois está disponível através do trabalho esplendoroso da EOS (Enciclopédia do Surf) organizada pelo jornalista, antigo editor da Surfer e autor de diversos livros, alguns deles já indicados neste blog, residente em São Francisco – Matt Warshaw.


https://www.eos.surf/videos/brazil-surf-magazine-documentary-full-length



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