sexta-feira, 28 de agosto de 2026

 
O PAÍS DO FUTEBOL, DA BOSSA NOVA... OU?

O país do surf

Em todos os anos de Copa sempre ficamos com uma grande expectativa, desde os anos 1960, quando estabelecemos uma hegemonia que durou décadas. O futebol brasileiro angariou um respeito que atingiu seu ápice com o tri em 1970, nos EUA em 1994 veio o tetra, depois o penta em 2002 no Japão, e, agora... Devemos aguardar até 2030.

CAPA DO ESTADÃO APÓS O SEGUNDO JOGO NA COPA DE 2026, MATEUS CUNHA, AMIGO DO LIDER DO RANKING ÍTALO FERREIRA E SURFISTA ELE PRÓPRIO, HOMENAGEOU O ESPORTE BRASILEIRO MAIS HEGEMÔNICO NESTA DÉCADA DE 20. NO SURF O HEXA JÁ VEIO. PASSAMOS DISSO...

Neste novo milênio, principalmente a partir de 2014, o surf é o esporte que tem trazido uma coleção de glórias para nosso país e o ano de 2026 não começou diferente. Chegamos a dominar mais da metade das 10 primeiras posições no ranking até o meio da temporada. 

RANKING ENTRE AS ETAPAS DO TAHITI E FIJI COM AS BANDEIRAS BRASILEIRAS ENCABEÇANDO A LISTA

É prematuro sacramentar que mais um título virá para nosso país quando o circuito da Liga Mundial de Surf (WSL) for encerrado com a etapa de Pipeline no Hawaii em dezembro, mas temos 8 títulos dos últimos 11 disputados. Uma supremacia contundente que ficará para a história que continuarei contando através deste blog, com meus livros e minha participação na imprensa do surf desde os anos 1980.

Agradeço a compreensão dos amigos que aguardam a publicação do VOL. 2 (de 5) da coleção “A Grande História do Surf Brasileiro”, mas aguardem que todos virão. É apenas uma fase sabática, mas minha paixão pelo surf e pelo jornalismo do esporte\estilo de vida não esmorecerá jamais.

Aproveito a oportunidade para publicar aqui mais algumas páginas embrionárias do segundo volume que continua na encubadeira. Todos os cinco livros abrem com uma sequência de três páginas duplas que dou os títulos: OS SURFISTAS – AS PRAIAS – OS CAMPEONATOS e aqui vão as do segundo livro e ilustro também (para vocês terem uma referência), com as que já foram publicadas no primeiro volume que está disponível na web:

https://loja.globaleditora.com.br/produtos/a-grande-historia-do-surf-brasileiro-volume-i/           

PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1, LIPE DYLONG E HELIO COQUINHO EM UBATUBA 1975 EM FOTOGRAFIA DE KLAUS MITTELDORF

ESTA SERÁ A DUPLA OS SURFISTAS NO VOL.2 BETÃO NA PRAIA DO PEPINO EM FOTOGRAFIA DE TUNICO DI BIASI, ABAIXO UMA PRÉVIA DO TEXTO

OS SURFISTAS

Roberto Marques de Souza, surfista carioca conhecido como Betão, foi considerado por muitos dos pioneiros que entrevistei como o melhor surfista brasileiro nos anos 1970. Seu estilo singular e a performance segura em ondas de todos os tamanhos logo o alçaram a ser um dos mais respeitados surfistas brasileiros quando se cristalizou aquela primeira geração de surfistas mais “hardcore” no Brasil, a turma iluminada que se formou no Rio de Janeiro, forjada nas ondas do Arpoador, no Píer de Ipanema e em Saquarema. Betão começou a brilhar naqueles Festivais de Surf, venceu o primeiro campeonato de Saquarema, em ondas de respeito e de forma convincente. Foi finalista em Ubatuba e no Píer. Ele poderia ser um dos Ícones destacados nestes livros, mas fica aqui este registro nesta bela fotografia publicada na revista Brasil Surf.

 
PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1, FERNANDO DE NORONHA EM IMAGEM DO SAUDOSO ALBERTO SODRÉ, GÊNIO DAS FOTOS AQUÁTICAS

 
UMA DAS OPÇÕES QUE TENHO EM MENTE PARA O SEGUNDO LIVRO É ESTA FOTOGRAFIA ÁEREA DO LITORAL NORTE DE SÃO PAULO. BARRA DO SAHY EM PRIMEIRO PLANO, PRAIA DA BALEIA, CAMBURY, BOIÇUCANGA E A SERRA DE MARESIAS, COM A ILHABELA AO FUNDO

AS PRAIAS

As regiões mais famosas e procuradas para o surf no Brasil serão apresentadas em grandes capítulos, com mapas e muitas fotos ao longo dos volumes. No primeiro livro a cidade do Rio Janeiro e Saquarema foram destacadas. Neste livro 2, vinte páginas são dedicadas ao Guarujá e no quarto volume desta obra um capítulo apresentará o litoral norte do Estado de São Paulo. Entre a Baixada Santista e São Sebastião, até os anos 1980, uma estrada de terra de 100 quilômetros nos levava por um trecho do litoral ligando os Municípios de Bertioga até São Sebastião que intitulávamos de “As Praias”. Uma região imaculada, com praias virgens, ondas perfeitas e clima ameno. Se olharmos o mapa do Brasil, como um todo, é possível perceber que o litoral de São Paulo fica abrigado em uma imensa baía com seus extremos em Arraial do Cabo (RJ) e a Ilha de Santa Catarina ao Sul, livre da água gelada e com ventos mais amenos, porém, muitas ondas.

 
PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1, O POINT DE ITAÚNA EM DIA DE ONDAS ÉPICAS PARA UMA ETAPA DA ASP. FOTO DE NILTON BAPTISTA

AQUI UMA VIAGEM DO DRAGÃO, ESTE ANO COMPLETEI 70 ANOS, MAS NÃO ME FURTO DE APELAR PARA IA. UMA IMAGEM COMO ESSA, TENHO A CERTEZA DE QUE ALGUM DE MEUS AMIGOS FOTÓGRAFOS QUE COBRIAM OS EVENTOS DE SURF DOS ANOS 1980 TERÁ EM SEU ACERVO. PARA FORMAR ESTA IMAGEM PEDI PARA A “AI”: GERE UMA IMAGEM ASSIM, ASSADO E VEJAM O QUE VEIO!! É ASSUSTADOR, MAS PARECE REAL

O primeiro livro lancei em 2019 e a “AI” (ou IA) era um bebê engatinhando e não usei absolutamente nada dela para produzir o primeiro livro, agora confesso que não me furtarei a utilizar o artifício.

Aqui segue uma potencial legenda, ainda em elaboração, que será lapidada ao encontrar a imagem ideal e me inspirar para desenvolver o texto:

OS CAMPEONATOS

No meio dos anos 1980, o que foi concebido em Ubatuba por Paulo Issa como os primeiros “grandes” campeonatos de surf do Brasil, começou a tomar proporções faraônicas com palanques cada vez maiores, barracas das marcas de surf nas areias, arquibancadas montadas nas praias, inscritos e premiações crescentes... Tudo isso foi viabilizado pela indústria do surfwear nacional que crescia de forma exponencial e podia investir nos atletas e nestes eventos. Foi se formando um mercado sólido que gerava lucros e tinha a visão de reinvestir no crescimento do esporte. As marcas de moda surf bebiam na fonte gerada pelo próprio ambiente que produziam. A equação de marketing, importada das marcas internacionais era simples: investimento nos surfistas com patrocínio, em campeonatos para que exibissem o talento e nas revistas, a principal mídia da ocasião. Bingo: o mercado explodiu no Brasil.

 

Bem, isso é apenas mais um breve aperitivo do segundo livro, que da mesma forma que o primeiro, já publicado, terá 132 páginas. A coleção completa somará 660 páginas. Valerá aguardar. Continuo trabalhando.

E para manter a tradição vamos com as dicas de disco, livro e filme.

 

AS BAFORADAS DO DRAGÃO

UM DISCO


UM LIVRO


UM FILME




 

UM DISCO – GETZ / GILBERTO – Stan Getz e João Gilberto featuring Antonio Carlos Jobim

Esse foi o primeiro disco envolvendo brasileiros que venceu um Grammy, na categoria jazz. Foi lançado em setembro de 1964. Foi este maravilhoso álbum que ergueu a Bossa Nova ao “estrelato” nos EUA. O Brasil já tinha duas Copas (1958 e 62), e naquele ano de 1964 o surf com longboards de fibra de vidro seria introduzido nas praias do Rio, com uma nova forma de abordagem e ataque às ondas apresentada por Peter Troy. As Madeirites brasileiras virariam peças de museu.

 
A CONTRACAPA DO DISCO COM JOÃO GILBERTO AO VIOLÃO, TOM JOBIM NO PIANO E STAN GETZ DA FILADÉLFIA COM O SAXOFONE

O disco foi lançado pela Verve Records e tinha a produção de Creed Taylor, que em breve se transformaria em um dos maiores empresários do jazz com a CTI Records (Creed Taylor Incorporation). Este álbum abre com uma versão da Garota de Ipanema, música criada por Tom Jobim ao lado de Vinícius de Morais. Talvez não, com certeza, uma das músicas que teve mais versões por uma infinidade de intérpretes e covers gravadas ao redor do planeta em dezenas de países.

No disco a música tem mais de 5 minutos e é apresentada em quatro camadas totalmente hipnóticas, iniciando apenas com o violão e a voz de João Gilberto cantando em português. Em um segundo momento a primeira esposa de João – Astrud Gilberto, entra cantando em inglês com uma suavidade de fazer páreo ao gênio da música brasileira. Não à toa ambos geraram Bebel, uma magnífica cantora. A terceira camada é o solo instrumental de Stan Getz, com seu estilo de tocar o sax que ganhou fama internacional. Para finalizar vem Antônio Carlos Jobim, o criador da melodia, solando com seu piano - “wonderful”. E a música fecha com o retorno dos vocais.

TRACK LISTING, A SEQUÊNCIA DAS FAIXAS.

Além de Tom e Vinícius o álbum traz músicas de Ary Barroso, Dorival Caymmi, Newton Mendonça e Antônio Almeida. Uma versão maravilhosa de Corcovado, transportada por Gene Lees para o inglês, sem contar a versão de The Girl From Ipanema, e sua letra adaptada por Norman Gimbel, mais tarde vencedor de canção original para o Oscar e que tem no currículo participação nas letras de Killing Me Softly With His Song e também Sway. Mas o ponto alto do disco é a voz de João Gilberto.

Getz/Gilberto até hoje é um dos discos de jazz mais vendidos da história, ficou no topo das paradas em 1964 a 1965. O futebol e a música eram duas esferas em que o Brasil ganhou notoriedade singular a partir dos anos 1960. A explosão de nosso talento no surf foi se dar apenas na década de 10 do novo milênio e houve um capitão.

 

 

UM LIVRO – COMO SE TORNAR UM CAMPEÃO – A HISTÓRIA DE ADRIANO DE SOUZA – Márcia Vieira

Nosso Mineirinho do Guarujá tem uma história magnífica de talento e muito esforço. Esta história, escrita pela jornalista carioca Márcia Vieira traz detalhes de uma carreira espetacular em que os subtítulos dos nove capítulos iniciais trazem características que nos fazem admirar Adriano, a saber: 1) Obstinação, 2) Disciplina, 3) Paixão, 4) Resiliência, 5) Foco, 6) Autocontrole, 7) Humildade, 8) Superação, 9) Ousadia. O décimo capítulo descreve a formação da Tempestade Brasileira, da qual Mineirinho foi proclamado por seus próprios pares como “O Capitão”. Os capítulos seguintes, quatorze ao todo, descrevem em detalhes o ano do título – 2015.

ABERTURA DE UM DOS CAPÍTULOS

Foi uma jornada repleta de desafios, diversos deles descritos de forma surpreendente neste livro lançado em 2017, quando o Brasil detinha apenas dois títulos, o de Gabriel Medina em 2014 e o de Mineirinho em 2015. A narrativa de Márcia, jornalista experiente que já trabalhou em veículos como o Jornal do Brasil, O Globo, O Estadão e Jornal dos Sports, formada na UFRJ segue uma forma linear e basicamente cronológica. Ela conversou muito com Adriano e conseguiu abstrair passagens pitorescas e complicadas de uma carreira cheia de dificuldades, mas que consumou um objetivo de vida com a obtenção do título, lastreado por todos os adjetivos listados acima.

No início Adriano de Souza passou por perrengues, alguns deles relembrados para o livro, difíceis de acreditar para um jovem garoto que despontou em uma comunidade praiana do litoral paulista. Lembro dele, garotinho, voando com desenvoltura na valinha do Canto do Maluf, em Pitangueiras. Luiz Henrique Saboia de Campos “Pinga”, percebeu o diamante bruto e tratou de lapidá-lo. O leitor desliza pela história de Adriano, suas aventuras e desventuras, seus patrocínios e incentivadores que participaram e ajudaram em sua evolução. Através de uma narrativa muito bem elaborada por Márcia, culmina com o dia em que Mineirinho venceu o Pipeline Masters e conquistou o título mundial, em uma mesma tacada, na maior arena do surf mundial.

DEZEMBRO DE 2015 SINERGIA ILUMINADA PARA A GLÓRIA MÁXIMA DE UM ESPORTISTA

A jornada de Adriano para atingir seu objetivo principal é abordada em quase todos seus aspectos ao longo do livro, que finaliza com um abrangente capítulo de agradecimentos. Em meu primeiro volume de “A Grande História do Surf Brasileiro”, também finalizo com uma página dupla chamando para o que virá nos próximos volumes. Adriano é o protagonista. Lançado em 2019, uma grande expectativa na ocasião era com relação às Olimpíadas de Tóquio 2020, nenhuma pandemia estava no horizonte.

PÁGINA DE ENCERRAMENTO DE MEUS TEXTOS NO VOL. 1

Quando parti para fazer a primeira vernissagem do livro, na etapa brasileira da WSL em Saquarema no primeiro semestre de 2019, Adriano de Souza foi presenteado com o primeiro livro que autografei na Casa Corona. Duas de minhas postagens preferidas no Blog Histórias do Surf, são as que fiz no final de 2015, logo após a emblemática conquista de Mineirinho. Deixo os links aqui, mas voltem para esta postagem pois tem mais belas histórias e um filme \ documentário excepcional indicado abaixo.

https://surfdragonblog.blogspot.com/2015/12/retrospectiva-2015.html

https://surfdragonblog.blogspot.com/2015/12/adriano-mineirinho-campeao-do-mundo.html

O DRAGÃO E O CAPITÃO, CRIAS DO GUARUJÁ

NA PRAIA DE ITAUNA, SAQUAREMA 2019

 

UM FILME – BRASIL SURF DOC. – Massangana Filmes

Um documentário de alto nível, produzido naquele estilo com imagens de arquivo muito bem garimpadas e ancorado em entrevistas variadas e elucidativas. Narrado pelo surfista Evandro Mesquita, que viveu o mundo do surf naqueles anos 1970, traz autenticidade com a empolgação que lhe é peculiar e merecida para uma celebração desta envergadura.

PEPÊ LOPES SURFANDO NO HAWAII, AS IMAGENS NA ABERTURA DO FILME COM OS CRÉDITOS SÃO FANTÁTICAS. NO FINAL MAIS AINDA

A revista Brasil Surf que durou de 1975 até 1979 foi o marco inicial para a imprensa do surf no Brasil. Um produto admirável como revista e é destrinchado em todos os seus aspectos neste doc. A trilha sonora da época é dosada de forma magistral e a narrativa do início transporta o espectador para relatos de Bocão, Rico, Otávio... Ícones do surf brasileiro e daquelas revistas, dos principais responsáveis pela produção da revista Alberto Pecegueiro e Flávio Dias, dos fotógrafos que eram os verdadeiros alicerces. A colagem de imagens ao final, ambientada ao som de Raul Seixas, considero o ponto mais inebriante do filme.

DEPOIMENTOS FANTÁSTICOS

As imagens, diversas páginas da revista reproduzidas, trechos do filme Nas Ondas do Surf produzido por Maraca, e Terral de Klaus Mitteldorf, buscas no Arquivo NACIONAL, no Cedoc da Globo e diversas fontes particulares, são de tirar o chapéu. Brasil Surf Doc., produzido impecavelmente pela Massangana Filmes e pelo Grupo Sal, são amarrados por um roteiro bem desenvolvido de:

 

No ano de 2014 tive o prazer de scanear cada uma das capas de minha coleção com as 19 revistas BRASIL SURF e fazer uma postagem colocando uma breve descrição de conteúdo delas.

https://surfdragonblog.blogspot.com/2014/02/brasil-surf.html

 

Cliquem no link abaixo para assistir ao filme, com legendas em inglês (áudio em português), pois está disponível através do trabalho esplendoroso da EOS (Enciclopédia do Surf) organizada pelo jornalista, antigo editor da Surfer e autor de diversos livros, alguns deles já indicados neste blog, residente em São Francisco – Matt Warshaw.


https://www.eos.surf/videos/brazil-surf-magazine-documentary-full-length



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

 

CONGREGAÇÕES DE UMA TRIBO

Que se transformou em uma civilização

Neste mês de dezembro em 2025 fui convidado para 2 encontros das turmas de pioneiros do surf. Um deles organizado por um dos fundadores da revista BRASIL SURF - Flávio Dias, ao lado de Fedoca e Popô Lopes, irmão do Pepê, reunindo a galera no Arpoador, no Rio de Janeiro. O evento chegou a ser adiado por causa da chuva, mas acabou rolando.

CONVITE

Outro evento que já tem alguma tradição é organizado por Valter Pieracciani. Um café da manhã na Quinta do Marquês, uma padaria em plena Av. Faria Lima na capital paulista, reunindo uma boa quantidade dos pioneiros do surf nas ondas de Pitangueiras no Guarujá.

FOI CRIADO ATÉ UM LOGO PARA O EVENTO

A congregação das comunidades de surfistas, que desde muito jovens se conheceram em meio ao balanço das séries no outside, papeando na areia das praias e desfrutando das viagens em busca de ondas... Transcende aquelas amizades escolares, ou de trabalho, pois o elo que une esta turma é ligado à longevidade, temperada pelo oceano, momentos de adrenalina e êxtase vividos juntos. Roubadas e entubadas épicas lembradas com orgulho e muitas risadas. 

ARQUIBANCADA NO ARPOADOR. É POSSÍVEL RECONHECER ALGUNS LENDÁRIOS SURFISTAS CARIOCAS. EM PRIMEIRO PLANO JEFFERSON CARDOSO, ATRÁS DELE RICO DE SOUZA, AO LADO DE FLÁVIO DIAS, COM MARACA E A FILHA NO COLO NO MEIO DELES NA FILA DE TRÁS. MAIS ATRÁS WADY MANSUR DE PERFIL, FEDOCA ESTÁ ALI POR PERTO. NO ALTO SEM CAMISA LIPE DYLONG E RENAN PITANGUY, ENTRE VÁRIOS OUTROS. FOTO DO ACERVO DE JACQUES NERY, FINAL DOS ANOS 1990


REGISTRO DO ENCONTRO PÓS POR DE SOL NO ARPOADOR NESTE FINAL DE ANO. FOTO: FEDOCA

Já em São Paulo, durante muitos anos, quem organizava jantares em pizzarias, churrascarias e que tais... foi Sidney Tenucci, o Sidão da OP. Ele nos deixou em 2015, após uma longa e árdua batalha contra o câncer.


REPRODUÇÃO DA ABERTURA DE UMA POSTAGEM QUE FIZ EM 2016, DEIXO AQUI ABAIXO O LINK NÃO SÓ PARA ESTA POSTAGEM, MAS TAMBÉM PARA UMA PARTE 2, LANÇADA NA MESMA ÉPOCA. DESVIEM PARA MAIS 2 LONGOS E ELUCIDATIVOS TEXTOS, MAS VOLTEM PARA CÁ, POIS ESTA AVENTURA BLOGUEIRA QUE FECHA 2025 ESTÁ APENAS COMEÇANDO

https://surfdragonblog.blogspot.com/2016/10/a-turma-do-guaruja-parte-1.html

https://surfdragonblog.blogspot.com/2016/10/a-turma-do-guaruja-parte-2.html

Quem assumiu a “virtude” de organizar encontros da turma de surfistas do Guarujá agora é Valtinho Pieracciani, surfista da segunda geração de paulistanos que têm apartamento no Guarujá, há mais de uma década ele reúne essa turma para um breakfast na capital paulista.

FOTOGRAFIA DE 2022. TAMBÉM É POSSÍVEL DESTACAR ALGUNS “NOTÁVEIS” EM MEIO AOS SORRIDENTES IRMÃOS DE ALMA QUE SE ABRAÇAM ANUALMENTE. O QUORUM DE PRESENTES OSCILA ANO A ANO

Valtinho está bem no meio na linha da frente, com as mãos no ombro dele Celso Medeiros, ou Celsinho da Wagon Surf Line (que tem um breve perfil na postagem GUARUJÁ PARTE 2 – link acima), Celso foi meu patrocinador quando aos 30 anos resolvi voltar a competir na categoria longboard. Dos dois lados dele os irmãos Chiarella, Madinho o primeiro tesoureiro da Abrasp, quando a associação foi fundada em 1987; e Thyola, um dos mais caprichosos laminadores de pranchas na história deste país, ativo aos 73 anos em 2025. No canto esquerdo da foto Carlos Sarli, o Califa, sócio de Paulo Lima na Editora Trip. Lá no fundo, de braços erguidos está Ricardo Lumbra, ao lado de seu irmão Rony, de camiseta salmão, magos de marketing com as campanhas da Hang Loose e performáticos apresentadores dos filmes de surf, com projetores de rolo e películas, que traziam para exibição nos anos 80 e 90. Eu estou lá na última linha, com a camiseta de listras ao lado de Paulo Galvão (de casaco azul), outro que se aventurou na imprensa especializada, ao lado do falecido Paulo Tendas na SURFER Brasil, editada em português por quatro anos. Poderia falar sobre cada um destes meus brothers. Mas voltemos ao Rio. 

CONVITE QUE RECEBI PARA UMA MOÇÃO À REVISTA BRASIL SURF QUE ACABOU NÃO SENDO REALIZADA NESTE ANO DE 2025 POR PROBLEMAS DE AGENDA NA ALERJ

Na Assembleia Legislativa do Rio a merecida homenagem ficou para 2026. Flávio Dias, amparado pelo pai Juvêncio, que já era do ramo da imprensa, foi um dos fundadores da BRASIL SURF, ao lado de Alberto Pecegueiro, que enveredou pelos meandros da Globosat, um dos responsáveis pela marcante presença do surf nos canais de cabo do grupo. Tenho uma longa entrevista com Alberto que ainda sairá publicada neste blog. Através de uma idealização do fotógrafo Fedoca Lima está em estudo a concretização de um livro comemorativo dos 50 anos da revista BRASIL SURF. Fedoca conversou com Flávio Dias que também abraçou a ideia. Alberto Pecegueiro sugeriu Rosaldo Cavalcanti para editar o livro e o irmão mais novo de Flávio, Fernando Dias, que era um garoto quando as revistas foram às bancas a partir de 1975 entrou na equipe. Por trás dos irmãos Dias há um pedigree...


ESTA FOTOGRAFIA MOSTRA O PAI DELES, JUVÊNCIO DIAS DE BIGODE, COM UM AMIGO E UMA PRANCHA MODELO TOM BLAKE NO RIO DE JANEIRO, BREVE TRAREI MAIS INFOS SOBRE ESTE ACHADO

Pesquisas e garimpagens sobre os arquivos desta maravilhosa história do surf no Brasil continuam a ser encontrados, também no Sul e no Nordeste. Ao escrever o prefácio do primeiro volume de minha obra Alex Gutenberg fez um salto quântico no termo tribo, que sempre gostamos de usar, para o termo civilização (mais uma vez – a maioria das imagens que coloco aqui nesse blog tem qualidade para serem lidas fazendo o download e ampliando). O livro de capa dura com 132 páginas também continua disponível na web. É só pesquisar: A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO - VOLUME 1.

REPRODUÇÃO DO PREFÁCIO DE MEU LIVRO NAS PÁGINAS 16 e 17, FOTO DE MÚCIO SCORZELLI, OUTRO DOS FOTÓGAFOS QUE AO LADO DE FEDOCA, TITO, KLAUS E ROGÉRIO EHRLICH, TÊM ALGUNS DOS MELHORES REGISTROS DO SURF NOS ANOS 1970

Não vou mais nem prometer que meus próximos volumes sairão em 2026, em 27... só prometo que continuarei trabalhando neste projeto, que além dos livros inclui este Blog, meu Facebook, Instagram e pontuais aparições em podcasts, quando tenho a oportunidade de relatar meus estudos sobre esta história em que vivo mergulhado, pelas últimas sete décadas desde os anos 1960, até o pescoço, com paixão, depois de assistir ao filme Endless Summer.

E para não perder o hábito aqui abaixo vai a décima postagem com as já tradicionais “Baforadas do Dragão”, as dicas 1 disco – 1 livro – 1 filme, que nesta ocasião são entrelaçadas por elos interessantes.

O disco de Van Morrison que escolhi é uma coletânea dos primeiros anos de seu trabalho, ele entra na história pois Rod Brooks, o diretor de prova do Quiksilver Pro em G-Land tinha ele como cantor preferido, confessou isso para mim em 1997, entre uma e outra bateria do campeonato que tem o vídeo destacado aqui e do qual Flávio Padaratz foi o destaque brasileiro neste evento. Na edição anterior deste blog trouxe luz para o filme de Fábio Gouveia. Teco Padaratz tem seu livro neste post, ele ficou em quinto lugar no Quiksilver Pro em G-Land. Parece incrível!!! Mas comemorávamos esse tipo de conquista nos idos de 1997. Hoje, se não tem brasileiro na final... tem algo estranho. Mas desde o final dos anos 80 até o início dos anos 10 os surfistas brasileiros pelejavam contra tudo e contra todos por espaço ao sol na ASP. Teco e Fabinho foram a ponta de lança de um movimento que agora traz seus louros. Detalhes a seguir.


 PRA FECHAR ESTA INTRODUÇÃO QUE TAL ESTA FOTO DO EVENTO SURF & BEACH SHOW – LEGENDS NO MESMO ANO DE 1997, NA PRAIA DE MARESIAS, QUE CONTOU COM A PRESENÇA DO AUSTRALIANO ROD BROOKS, SEM CAMISA NO CANTO DIREITO, ABAIXO DE BETÃO E ACIMA DE FEDOCA. UMA GRANDE CONGREGAÇÃO DE PAULISTAS E CARIOCAS EM UM DOS TEMPLOS SAGRADOS DO SURF BRASILEIRO, UM QUEM É QUEM DE PESO. CAMISETAS DA BRASIL SURF ROLARAM SOLTAS

Mas vamos lá.

 

AS BAFORADAS DO DRAGÃO

UM DISCO



UM LIVRO


UM FILME



 

UM DISCO – THE PHILOSOPHER'S STONE – Van Morrison

 

O irlandês Van Morrison apareceu na cena musical do Reino Unido no meio dos anos 1960, logo na esteira dos Beatles com sua primeira banda: Them (vale a pena pesquisar e ouvir) mas sua carreira decolou mesmo como artista solo, sempre se rodeando de músicos de excelente gabarito. Ele mesmo um multi-instrumentista aplicado, dominando guitarra, teclado, saxofone e harmônica (gaita), neste último um virtuoso.

 O DISCO DUPLO THE PHILOSOPHER'S STONE VEM COM UM BOOKLET DE DIVERSAS PÁGINAS TRAZENDO A LETRA DAS 30 MÚSICAS DO ÁLBUM

Mais que uma viagem auditiva por boa parte da carreira de Van, este CD de 1998 traz faixas nunca antes apresentadas de trabalhos anteriores, dos anos 70 e 80, outras até mais recentes.

O disco é uma amostra cabal do talento de Van Morrison. Quando a maioria dos artistas produziam seus álbuns naqueles tempos eram feitos diversos takes de cada faixa. As vezes eram mixadas com o início de uma gravação e o final de outra, só para simplificar. Mas normalmente a melhor tomada era a que ia para o disco. Porém, todo o trabalho nos estúdios era armazenado em fitas de rolo profissionais. The Philosopher's Stone foi compilado com o conceito de buscar versões arquivadas de discos anteriores a 1998 e que nunca haviam saído de um arquivo “morto”.

Ao meu modo de ver (ouvir), algumas destas faixas são muito mais bacanas que as originalmente apresentadas. Morrison tem lançado no mínimo um disco por ano durante todas as décadas de 60, 70, 80, 90, 2000, 10, 20... A maturidade não brecou a exuberante criatividade deste compositor. Um adesivo colado na capa do CD que comprei na Tower Records de Honolulu em uma das temporadas havaianas que fui trabalhar, destacava “30 PREVIOUSLY UNRELEASE TRACKS!” 30 faixas inéditas. A grande maioria versões de uma mesma música, mas totalmente diferentes das lançadas nos discos anteriores.

PRINCIPALMENTE CDs E UM PAR DE FITAS K7 QUE TENHO EM MEU ACERVO. VAN É UM DOS ARTISTAS QUE MAIS COLECIONO DISCOS

Este lançamento de 1998 é um disco que recomendo para pessoas mais jovens que desejam se introduzir a trabalho de Van Morrison. Parei de comprar CDs há mais de 10 anos, mas continuo acompanhando o trabalho dele no iTunes a cada lançamento por vezes mais de um disco no mesmo ano. Nascido em 1945 Van Morrison fez 80 anos e lançou mais um álbum com faixas totalmente novas no início de 2025. O cara não faz disco ruim. Um dos pontos altos de todas as suas obras são os arranjos das músicas, com orquestração primorosamente elaborada.

Em uma das faixas do álbum de 2003 – What’s Wrong With This Picture, meio que autobiográfica, ele resume as vertentes da música em que viajou ao longo dos anos, trago aqui uma das estrofes: Jazz Blues & Funk \ That’s not Rock & Roll \ Folk with a beat \ And a little bit of Soul \ Eu não tenho discos de hits \ Eu não tenho nenhum programa na TV \ Me diga por que tenho que viver neste aquário para peixinhos dourados? Goldfish Bowl é o nome da música. Uma das 250 obras primas ao estilo de Van Morrison.

Outro de seus discos, este de 2012, leva o título Born To Sing: No Plan B ele nunca teve um plano B. A forma como brinca com a sua voz cantando de forma visceral, berrando ao mais puro estilo rock; ou nos embala com uma suavidade incrível em suas faixas românticas; no final dos anos 1980 e início dos 90 mergulhou numa fase gospel, arrasou com alguns de seus mais inspirados álbuns; ou se cerca de músicos de jazz trazendo faixas com longos solos instrumentais; recita poemas musicados; se aventura em primorosos discos de duetos, como Too Long In Exile, ao lado de John Lee Hooker – é magistral, sempre.

Sua faixa mais executada com certeza é Brown Eyed Girl, que saiu no disco de 1967 Blowin’ Your Mind, ela tem uma curiosidade. Ele tinha 22 anos e se encantou por uma garota de pele brown, fez a música. Mas face ao preconceito da época o pessoal da gravadora sugeriu que o título da música alterasse para que a protagonista da música tivesse olhos castanhos e não pele castanha. Absurdo nos dias de hoje, mas uma realidade na Irlanda e naquele mundo em transformação, que enfrentaria no ano seguinte e dali para frente, uma de suas grandes revoluções culturais.

Desafio qualquer frequentador deste blog a pegar um disco de Van Morrison e colocar o asterisco de que é um álbum fraco. Esse homem coloca “tudo” de si em cada música que canta. Para fechar destaco uma performance dele no brilhante filme de Martin Scorcese The Last Waltz, uma apresentação de despedida da banda que surgiu no cenário como acompanhantes de Bob Dylan – The Band, com uma diversidade magnífica de convidados, Van Morrison canta sua música Caravan, com uma grande apoteose ao final. Não lembro agora se foi Robbie Robertson, ou Ricky Danko da banda que no fecho de sua apresentação, quando sai agradecendo... dispara “Van the Man”, de fato Van Morrison é “o” cara, quando se trata de pinçar alguns dos maiores, mais longevos e inspirados cantores da história da música contemporânea.

 

UM LIVRO – BUSCANDO SEU 100% – Teco Padaratz

Flávio “Teco” Padaratz é o irmão do meio em uma família de surfistas. Nascido em 1971 na cidade de Blumenau no interior do Estado de Santa Catariana, ao mudar para Balneário Camboriú sua vida ligada ao surf desabrochou para uma carreira cheia de desafios e conquistas. Buscando o seu 100% é uma autobiografia – a primeira – com certeza merece outra mais abrangente, pois o legado de Teco está em curso de mais grandiosas realizações.

O LIVRO FOI ESCRITO EM 2019 E LANÇADO EM 2020 PELA EDITORA GAIA, PORTANTO ANTES DE PADARATZ ASSUMIR A PRESIDÊNCIA DA CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE SURF E ANTES DA CONQUISTA OLÍMPICA DE ÍTALO FERREIRA

Na contracapa do livro duas frases, uma de Teco e outra de Avelino Bastos. Avelino, dez anos mais velho que Flávio, teve um papel instrumental na carreira dele, desde muito jovem. Avelino é o autor do prefácio, o livro retrata de forma profunda a relação entre os dois. Nos treze capítulos seguintes ao prefácio Teco narra na primeira pessoa diversas passagens fantásticas de sua carreira, passa muitas das lições que aprendeu ao longo da jornada e explica sua fórmula para buscar os 100%.

CONTRACAPA DO LIVRO

TECO ENCAIXADO, FUNDO


 PÁGINA DUPLA DAS ILUSTRAÇÕES, AS RASGADAS DE TECO SEMPRE FORAM UM DE SEUS PONTOS MAIS FORTES NA ÁGUA


E AS BATIDAS. CAPA DA HARDCORE QUANDO VENCEU SUA PRIMEIRA ETAPA NA BARRA DA TIJUCA EM 1991. FOTO: AGOBAR JUNIOR

 

CAPA DA FLUIR DURANTE A TEMPORADA 1989\90

FREESURF EM LOG CABINS. FOTO: AGOBAR JUNIOR

No livro, o que mais deve interessar os aficionados por surf é o relato das vitórias e de baterias em detalhes, como Teco sentiu estas disputas, lado a lado com Fabinho Gouveia, vitórias contra Kelly Slater que ao perder de Teco pela primeira vez disse que “isso não vai acontecer de novo”, mas Padaratz, mais tarde, carimbou uma das faixas de Kelly e não resistiu, cumprimentando o rival e ídolo, segurou a mão e declarou “aconteceu de novo”. Essa e muitas outras passagens são contadas de forma descontraída e ao mesmo tempo analítica, relatando os aprendizados, frustrações e glórias alcançadas. Bem ao estilo Teco.

NO LIVRO DA EDITORA GAIA HÁ UM CADERNO COLORIDO COM 16 PÁGINAS E IMAGENS DE AÇÃO, COMPETIÇÃO, FAMÍLIA...

Flávio Padaratz, conta sua história familiar, surfando com os irmãos, seu casamento com Gabriela, um amor de infância e suas duas filhas, seu relacionamento com o mentor Avelino e o patrocinador Alfio. O dia a dia com Fabinho Gouveia no tour, uma amizade selada com interesse mútuo, compreensão, carinho, rixinhas e muita amizade. Um foi combustível para o outro galgar novos patamares. Teco foi protagonista de uma carreira vitoriosa que o levou a dois títulos do WQS lutando contra grandes surfistas. O livro não traz a fase atual de Teco, como dirigente de surf, que com sua experiência ainda tem muito a produzir e entregar para essa evolução sem fim do esporte no Brasil.

FLÁVIO PADARATZ EM SEU ESCRITÓRIO NA SEDE DA CBSURF EM SANTA CATARINA, DESTAQUE PARA MEU LIVRO EM CIMA DE SUA MESA

FOTOGRAFIA RETIRADA DO INSTAGRAM DO TECO

Hoje o horizonte de Flávio “Teco” Padaratz, com 54 anos, tendo passado por toda a trajetória de surfista amador, profissional, representante dos surfistas na ASP, empresário sócio de Avelino, detentor da licença para o evento do Circuito Mundial no Brasil, trabalho na televisão, músico e agora como o responsável para balizar os novos passos de crescimento do esporte em nosso país, com toda essa experiência de vida... É muito amplo.

Teco também já tem um filme documentário sobre sua carreira: Cut, back, dirigido por Alex Miranda e que poderá figurar aqui em postagem futura. Ao trazer neste blog, nas duas mais recentes postagens, trechos das carreiras de Teco e Fabinho, que terão capítulos de 8 páginas como ÍCONES do surf brasileiro em meus livros, é uma espécie de aperitivo para deixar o registro da importância que ambos tiveram ao pavimentar essa jornada, iniciada na gênese do World Tour com as vitórias de Pepê Lopes e Daniel Friedmann na etapa brasileira da IPS, ainda nos anos 1970. Já nos anos 1990, primeiro Fabio Gouveia, ao lado de Flávio Padaratz, logo reforçados por Peterson Rosa, em seguida Victor Ribas, começaram a preocupar os gringos saxônicos. Nem nos sonhos mais selvagens de um editor de revistas de surf, eu poderia imaginar que nestes Anos 20 estaríamos deitando e rolando em cima de australianos, havaianos e americanos. Me belisquem!!! Ou assistam a dica de vídeo a seguir. Outro sonho. Aqui neste blog não virá dica fraca de entretenimento.  

 

UM FILME – QUIKSILVER PRO 1997 – Pavillion Produções

Um trabalho que de certa forma estive envolvido como agente duplo. Neste ano de 1997 eu ainda trabalhava como diretor de redação da revista Hardcore e desde o final de 1996 fui convidado para tocar (sozinho) o departamento de marketing da Quiksilver Brasil que havia sido trocada de licenciado, para a Ravage Confecções, que não era do métier. O vídeo VHS foi lançado no Brasil com legendas em português, que traduzi pessoalmente, voltando a fita – quantas vezes precisasse – até ter claro o que foi dito.

CAPA ABERTA DO VÍDEO LANÇADO NO BRASIL

Fui enviado para a Indonésia com tudo pago pela Quiksilver e ainda tive o prazer de escrever a cobertura para revista Hardcore em parceria com o fotógrafo James Thisted. Tinha plena consciência que estava em uma missão especial como homem de marketing, como jornalista especializado, como surfista. Só não imaginava que estaria prestes a viver alguns dos momentos mais alucinantes de minha carreira trabalhando e vivendo este esporte.

ABERTURA DA MATÉRIA QUE ESCREVI PARA A HARDCORE A FOTO DOS TOP 44 PERFILADOS NA AREIA DE GRAJAGAN É DE MINHA AUTORIA

Na véspera do evento uma logística “pro” foi organizada com diversos micro-ônibus (bemos) saindo dos hotéis em Bali, viajando de noite para pegar um ferry-boat para Java e amanhecer no vilarejo de Grajagan, do outro lado da baía logo ao amanhecer. Pulamos (surfistas, imprensa, staff do campeonato) para um comboio de embarcações típicas da indonésia e atravessamos, rumo aos surf camps. Chegamos no final da manhã e após instalados soubemos da notícia, vimos isso dos barcos chegando, o mar estava se alinhando para um final de tarde clássico.

A sessão de surf que vou descrever aqui é a abertura do vídeo Quiksilver Pro 1997 – G-Land Java. Todos os Top 44 foram para dentro da água, mais os juízes, pessoal da imprensa, convidados da Quiksilver como Rusty Keaulana, que caiu de longboard. As condições estavam perfeitas para o Speed Reef, a última, maior e mais desafiadora seção da onda que precisa de condições especiais para funcionar bem.

Eu me posicionei mais para o rabo das ondas, pegando algumas que sobravam quando alguém caia e fiquei assistindo ao espetáculo. QUE!!! Espetáculo. Creio que, em intensidade, foi a melhor sessão de surf que tive a oportunidade de presenciar, participar em quase 60 anos de prática. Os melhores surfistas do mundo se atiravam em picos de 3 a 4 metros que marchavam perfeitos para o Speed Bowl. Tubos bizarros, ondas incrivelmente perfeitas, outras jogavam placas que engoliam os mais hábeis “boardriders”. Derek Ho se machucou feio e não participou do campeonato. No filme essa sessão inicial é sonorizada por Break & Enter da banda The Prodigy, um som pesado entremeado pelo barulho de copos e pratos sendo quebrados. Os surfistas ali presentes quebraram tudo. Slater, Shane Dorian, Occy, Tom Carroll, Poto, Cory Lopez, Luke Egan que acabou vencendo a competição. Todos dando o máximo de si, oito brasileiros participaram desta etapa Peterson Rosa foi o destaque atirando-se estilo “The Animal” nesta session pré-campeonato.

Eu estava ali boquiaberto, peguei algumas intermediárias, mas o que valia era ver aquele show de perto, sentindo a energia. Comecei a bater papo com um cara que estava ali, com logo da Quiksilver em sua prancha, na mesma zona que eu e também pegava umas boas sobras. Perguntei seu nome – Robert – e na medida que fomos conversando caiu a ficha, era Robby Naish, excepcional windsurfer, convidado para a festa. Nos anos 1990 o investimento que as marcas top faziam era brutal, patrocinando duas e até três etapas da ASP em uma mesma temporada. O lucro estava nas alturas, o feeling de quem dirigia as marcas, surfistas de coração, predominava.

 NECO PADARATZ NA CAPA DA FLUIR DE AGOSTO 1997

FOTO: TONY FLEURY

 LUKE EGAN NA CAPA DA HARDCORE

FOTO: JAMES THISTED

Reli ambas as matérias nas revistas de quase 30 anos, para escrever este texto, foi um campeonato alucinante. O melhor, disparado, em termos de ondas dos quatro eventos que a marca realizou lá em Grajagan, o mais recente deles já na época da WSL, uma espécie de fiasco em termos de ondas. Kelly Slater e Shane Beschen venceram os eventos em Java em 1995 e 1996. Mas este campeonato de 97 bombou muito, dias incríveis de ondas em Money Trees e Speed Reef, as duas principais seções da onda. Com toda cambada acampada no meio da selva, era só aguardar os melhores horários e colocar as baterias na água. 

QUE TAL COMPETIR EM ONDAS ASSIM? CHRIS GALLAGHER, QUE FICOU EM SEGUNDO LUGAR. FRAME DO FILME QUE DEI PAUSA NA INTERNET

O filme está disponível no Youtube no momento em que escrevo esta postagem do blog “Histórias do Surf”. Peguem o link ao final do texto, assistam que vale a pena. Contará muito bem a história tendo os irmãos Carroll, Nick e Tom, como apresentadores. Fica um desagravo para o resultado da edição final que praticamente ignora a participação dos brasileiros. Teco foi quinto, Neco, Jojó e Guilherme Herdy ficaram em nono. Tanto eu pela Hardcore, como Adrian Kojin, que estava lá pela Fluir, destacamos a performance de cada um dos brasileiros. 

EDITORIAL DE 1997 NA FLUIR ESCRITO POR ADRIAN KOJIN. NA SEQUÊNCIA TECO PADARATZ EM FOTOS DE TONY FLEURY

Tenho que finalizar esta postagem com um testemunho pessoal. Os surfistas profissionais, a maioria deles iam perdendo suas baterias e picavam a mula de G-Land. Para o último dia ficaram apenas duas baterias, uma das semifinais e a final entre Luke Egan e Chris Gallagher. Eu iria embora apenas no dia seguinte, não resisti e tive de dar mais uma queda. Maré subindo, swell consistente e o Speed Reef estava operando com ondas de 2,5 a 3 metros. Perfeito liso, leve terral. Lembro que na água estavam uns quatro a cinco surfistas, um dos juízes, Rob Machado era o único pro e com a vastidão da bancada e quantidade de ondas disponíveis, raramente sentávamos juntos. Nos cruzávamos, indo surfando, voltando remando.

Nessas condições peguei uma das mais memoráveis ondas da minha vida, estava com o pranchão 9’2”, shape de Neco Carbone (é a prancha com logo da Quiksilver que está na foto acima da turma em Maresias). O campeonato em Java ocorreu nos últimos dias de maio de 97, início de junho. O evento de confraternização da Feira de Surf na primeira semana de julho. Não entubei naquela onda, mas vim fazendo a linha dela e manobrando na parede, no pocket, o melhor que consegui. A onda do Speed Reef é um trem, que vai acelerando e lançando bowls sobre a bancada. Lembro de ir manobrando em alta velocidade e vi Rob Machado passando, remando, sorrindo, voltando de uma onda maravilhosa que havia dropada instantes antes, peguei a de trás.

Uns dois anos depois, o campeonato em G-Land já nem existia mais, e Machado veio visitar a sede da Hardcore em Sampa. Conversando com ele, lembrei daquele dia e ele lembrava de minha onda. Mais memorável ainda. E não foi só isso. Meu amigo de profissão, Adrian Kojin, estava no alto da torre dos juízes, que estava vazia, observando o mar. Depois veio comentar comigo que viu aquela minha onda. Esses relatos ajudam a preservar na memória estes momentos marcantes de surf que vivemos.

ABERTURA DA MATÉRIA ESCRITA POR ADRIAN

Grajagan – G-Land, é um lugar muito especial no planeta surf. Uma esquina de ilha com uma bancada gigante. A onda vem lá fora em Kong’s, uma onda excelente, caso não houvesse Money Trees e Speedies ladeira abaixo. Há lendas de dias que dá para ir emendando nas bancadas, a mesma bancada gigante. Em um dos momentos que o campeonato estava “off” (rolou muito swell nestes 10 dias), as ondas ficaram livres para imprensa, juízes, funcionários da Quiksilver e os próprios atletas se divertirem. Em uma sessão com ondas de mais de 2 metros eu estava remando de volta quando meu amigo Adrian dropa uma das boas na seção chamada Launching Pads, um pico mais radical que se forma na transição de Money Trees para engatar com o Speed Reef. O cara surfa de front ali, eu encaro G-Land de backside. Após um drop radical, Kojin veio ajeitando a linha e a onda não pedia nenhuma outra coisa, tinha de ser por dentro. Ele encaixa num primeiro tubo, a onda dá uma aliviada e exige mais, é colocar pra dentro de novo e acertar a velocidade, ler a parede, que sempre vai jogando novas seções. Que ninguém pense que Grajagan é uma onda totalmente perfeita. Ela desafia você a entender diversos arremessos de lips pelo caminho. Sei que quando Adrian Kojin saiu da onda, adrenalizado, lembro que a única coisa que me veio na cabeça falar para ele foi: “Essa deve ter sido a melhor onda da sua vida?”


ADRIAN KOJIN, G-LAND, NA CITADA ONDA. FOTO: TONY FLEURY


SPECIAL THANKS

LÁ ESTÁ MEU NOME, EM MEIO A TANTOS OUTROS, NOS CRÉDITOS FINAIS DO VÍDEO

Bom, agora resta para quem tiver tempo, paciência, curiosidade... Assistir, ler o livro do Teco, ouvir Van Morrison.

Dos preciosos cofres da WSL, antiga ASP, segue o link:


https://www.youtube.com/watch?v=Mx1KnLAUaV4

EPIC G-LAND 1997 ASSISTA AO FILME