O PAÍS DO
FUTEBOL, DA BOSSA NOVA... OU?
O país do surf
Em todos os
anos de Copa sempre ficamos com uma grande expectativa, desde os anos 1960, quando
estabelecemos uma hegemonia que durou décadas. O futebol brasileiro angariou um
respeito que atingiu seu ápice com o tri em 1970, nos EUA em 1994 veio o tetra,
depois o penta em 2002 no Japão, e, agora... Devemos aguardar até 2030.
CAPA DO ESTADÃO APÓS O SEGUNDO JOGO
NA COPA DE 2026, MATEUS CUNHA, AMIGO DO LIDER DO RANKING ÍTALO FERREIRA E
SURFISTA ELE PRÓPRIO, HOMENAGEOU O ESPORTE BRASILEIRO MAIS HEGEMÔNICO NESTA
DÉCADA DE 20. NO SURF O HEXA JÁ VEIO. PASSAMOS DISSO...
Neste novo
milênio, principalmente a partir de 2014, o surf é o esporte que tem trazido
uma coleção de glórias para nosso país e o ano de 2026 não começou diferente.
Chegamos a dominar mais da metade das 10 primeiras posições no ranking até o
meio da temporada. 
RANKING ENTRE AS ETAPAS DO TAHITI E FIJI COM AS BANDEIRAS BRASILEIRAS ENCABEÇANDO A LISTA
É prematuro sacramentar
que mais um título virá para nosso país quando o circuito da Liga Mundial de
Surf (WSL) for encerrado com a etapa de Pipeline no Hawaii em dezembro, mas
temos 8 títulos dos últimos 11 disputados. Uma supremacia contundente que
ficará para a história que continuarei contando através deste blog, com meus
livros e minha participação na imprensa do surf desde os anos 1980.
Agradeço a
compreensão dos amigos que aguardam a publicação do VOL. 2 (de 5) da coleção “A
Grande História do Surf Brasileiro”, mas aguardem que todos virão. É apenas
uma fase sabática, mas minha paixão pelo surf e pelo jornalismo do
esporte\estilo de vida não esmorecerá jamais.
Aproveito a
oportunidade para publicar aqui mais algumas páginas embrionárias do segundo
volume que continua na encubadeira. Todos os cinco livros abrem com uma sequência
de três páginas duplas que dou os títulos: OS SURFISTAS – AS PRAIAS – OS
CAMPEONATOS e aqui vão as do segundo livro e ilustro também (para vocês terem
uma referência), com as que já foram publicadas no primeiro volume que está
disponível na web:
https://loja.globaleditora.com.br/produtos/a-grande-historia-do-surf-brasileiro-volume-i/
PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1,
LIPE DYLONG E HELIO COQUINHO EM UBATUBA 1975 EM FOTOGRAFIA DE KLAUS MITTELDORF
ESTA SERÁ A DUPLA OS SURFISTAS
NO VOL.2 BETÃO NA PRAIA DO PEPINO EM FOTOGRAFIA
DE TUNICO DI BIASI, ABAIXO UMA PRÉVIA DO TEXTO
OS SURFISTAS
Roberto Marques
de Souza, surfista carioca conhecido como Betão, foi considerado por muitos dos
pioneiros que entrevistei como o melhor surfista brasileiro nos anos 1970. Seu
estilo singular e a performance segura em ondas de todos os tamanhos logo o alçaram
a ser um dos mais respeitados surfistas brasileiros quando se cristalizou
aquela primeira geração de surfistas mais “hardcore” no Brasil, a turma
iluminada que se formou no Rio de Janeiro, forjada nas ondas do Arpoador, no
Píer de Ipanema e em Saquarema. Betão começou a brilhar naqueles Festivais de
Surf, venceu o primeiro campeonato de Saquarema, em ondas de respeito e de
forma convincente. Foi finalista em Ubatuba e no Píer. Ele poderia ser um dos
Ícones destacados nestes livros, mas fica aqui este registro nesta bela
fotografia publicada na revista Brasil Surf.

PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1,
FERNANDO DE NORONHA EM IMAGEM DO SAUDOSO ALBERTO SODRÉ, GÊNIO DAS FOTOS
AQUÁTICAS

UMA DAS OPÇÕES QUE TENHO EM MENTE
PARA O SEGUNDO LIVRO É ESTA FOTOGRAFIA ÁEREA DO LITORAL NORTE DE SÃO PAULO.
BARRA DO SAHY EM PRIMEIRO PLANO, PRAIA DA BALEIA, CAMBURY, BOIÇUCANGA E A SERRA
DE MARESIAS, COM A ILHABELA AO FUNDO
AS PRAIAS
As regiões mais
famosas e procuradas para o surf no Brasil serão apresentadas em grandes
capítulos, com mapas e muitas fotos ao longo dos volumes. No primeiro livro a
cidade do Rio Janeiro e Saquarema foram destacadas. Neste livro 2, vinte
páginas são dedicadas ao Guarujá e no quarto volume desta obra um capítulo
apresentará o litoral norte do Estado de São Paulo. Entre a Baixada Santista e São
Sebastião, até os anos 1980, uma estrada de terra de 100 quilômetros nos levava
por um trecho do litoral ligando os Municípios de Bertioga até São Sebastião
que intitulávamos de “As Praias”. Uma região imaculada, com praias virgens,
ondas perfeitas e clima ameno. Se olharmos o mapa do Brasil, como um todo, é
possível perceber que o litoral de São Paulo fica abrigado em uma imensa baía
com seus extremos em Arraial do Cabo (RJ) e a Ilha de Santa Catarina ao Sul,
livre da água gelada e com ventos mais amenos, porém, muitas ondas.

PÁGINA DUPLA PUBLICADA NO VOLUME 1, O
POINT DE ITAÚNA EM DIA DE ONDAS ÉPICAS PARA UMA ETAPA DA ASP. FOTO DE NILTON
BAPTISTA
AQUI UMA VIAGEM DO DRAGÃO, ESTE ANO
COMPLETEI 70 ANOS, MAS NÃO ME FURTO DE APELAR PARA IA. UMA IMAGEM COMO ESSA,
TENHO A CERTEZA DE QUE ALGUM DE MEUS AMIGOS FOTÓGRAFOS QUE COBRIAM OS EVENTOS
DE SURF DOS ANOS 1980 TERÁ EM SEU ACERVO. PARA FORMAR ESTA IMAGEM PEDI PARA A
“AI”: GERE UMA IMAGEM ASSIM, ASSADO E VEJAM O QUE VEIO!! É ASSUSTADOR, MAS
PARECE REAL
O primeiro
livro lancei em 2019 e a “AI” (ou IA) era um bebê engatinhando e não usei
absolutamente nada dela para produzir o primeiro livro, agora confesso que não
me furtarei a utilizar o artifício.
Aqui segue
uma potencial legenda, ainda em elaboração, que será lapidada ao encontrar a
imagem ideal e me inspirar para desenvolver o texto:
OS CAMPEONATOS
No meio dos anos
1980, o que foi concebido em Ubatuba por Paulo Issa como os primeiros “grandes”
campeonatos de surf do Brasil, começou a tomar proporções faraônicas com
palanques cada vez maiores, barracas das marcas de surf nas areias, arquibancadas
montadas nas praias, inscritos e premiações crescentes... Tudo isso foi
viabilizado pela indústria do surfwear nacional que crescia de forma
exponencial e podia investir nos atletas e nestes eventos. Foi se formando um
mercado sólido que gerava lucros e tinha a visão de reinvestir no crescimento
do esporte. As marcas de moda surf bebiam na fonte gerada pelo próprio ambiente
que produziam. A equação de marketing, importada das marcas internacionais era
simples: investimento nos surfistas com patrocínio, em campeonatos para que
exibissem o talento e nas revistas, a principal mídia da ocasião. Bingo: o
mercado explodiu no Brasil.
Bem, isso é
apenas mais um breve aperitivo do segundo livro, que da mesma forma que o
primeiro, já publicado, terá 132 páginas. A coleção completa somará 660
páginas. Valerá aguardar. Continuo trabalhando.
E para
manter a tradição vamos com as dicas de disco, livro e filme.
AS BAFORADAS DO DRAGÃO
UM DISCO
UM LIVRO
UM FILME
UM DISCO – GETZ / GILBERTO – Stan Getz e João Gilberto featuring Antonio Carlos Jobim
Esse foi o
primeiro disco envolvendo brasileiros que venceu um Grammy, na categoria jazz.
Foi lançado em setembro de 1964. Foi este maravilhoso álbum que ergueu a Bossa
Nova ao “estrelato” nos EUA. O Brasil já tinha duas Copas (1958 e 62), e naquele
ano de 1964 o surf com longboards de fibra de vidro seria introduzido nas
praias do Rio, com uma nova forma de abordagem e ataque às ondas apresentada por
Peter Troy. As Madeirites brasileiras virariam peças de museu.

A CONTRACAPA DO DISCO COM JOÃO
GILBERTO AO VIOLÃO, TOM JOBIM NO PIANO E STAN GETZ DA FILADÉLFIA COM O SAXOFONE
O disco foi
lançado pela Verve Records e tinha a produção de Creed Taylor, que em breve se
transformaria em um dos maiores empresários do jazz com a CTI Records (Creed
Taylor Incorporation). Este álbum abre com uma versão da Garota de Ipanema,
música criada por Tom Jobim ao lado de Vinícius de Morais. Talvez não, com
certeza, uma das músicas que teve mais versões por uma infinidade de intérpretes
e covers gravadas ao redor do planeta em dezenas de países.
No disco a
música tem mais de 5 minutos e é apresentada em quatro camadas totalmente
hipnóticas, iniciando apenas com o violão e a voz de João Gilberto cantando em
português. Em um segundo momento a primeira esposa de João – Astrud Gilberto,
entra cantando em inglês com uma suavidade de fazer páreo ao gênio da música
brasileira. Não à toa ambos geraram Bebel, uma magnífica cantora. A terceira
camada é o solo instrumental de Stan Getz, com seu estilo de tocar o sax que
ganhou fama internacional. Para finalizar vem Antônio Carlos Jobim, o criador
da melodia, solando com seu piano - “wonderful”. E a música fecha com o retorno
dos vocais.
TRACK LISTING, A SEQUÊNCIA DAS FAIXAS.
Além de Tom
e Vinícius o álbum traz músicas de Ary Barroso, Dorival Caymmi, Newton Mendonça
e Antônio Almeida. Uma versão maravilhosa de Corcovado, transportada por
Gene Lees para o inglês, sem contar a versão de The Girl From Ipanema, e
sua letra adaptada por Norman Gimbel, mais tarde vencedor de canção original
para o Oscar e que tem no currículo participação nas letras de Killing Me
Softly With His Song e também Sway. Mas o ponto alto do disco é a
voz de João Gilberto.
Getz/Gilberto
até hoje é um dos discos de jazz mais vendidos da história, ficou no topo das
paradas em 1964 a 1965. O futebol e a música eram duas esferas em que o Brasil
ganhou notoriedade singular a partir dos anos 1960. A explosão de nosso talento
no surf foi se dar apenas na década de 10 do novo milênio e houve um capitão.
UM LIVRO – COMO SE TORNAR UM CAMPEÃO – A HISTÓRIA DE ADRIANO DE SOUZA – Márcia Vieira
Nosso
Mineirinho do Guarujá tem uma história magnífica de talento e muito esforço.
Esta história, escrita pela jornalista carioca Márcia Vieira traz detalhes de
uma carreira espetacular em que os subtítulos dos nove capítulos iniciais
trazem características que nos fazem admirar Adriano, a saber: 1) Obstinação, 2)
Disciplina, 3) Paixão, 4) Resiliência, 5) Foco, 6) Autocontrole, 7) Humildade,
8) Superação, 9) Ousadia. O décimo capítulo descreve a formação da Tempestade
Brasileira, da qual Mineirinho foi proclamado por seus próprios pares como “O
Capitão”. Os capítulos seguintes, quatorze ao todo, descrevem em detalhes o ano
do título – 2015.
ABERTURA DE UM DOS CAPÍTULOS
Foi uma
jornada repleta de desafios, diversos deles descritos de forma surpreendente
neste livro lançado em 2017, quando o Brasil detinha apenas dois títulos, o de
Gabriel Medina em 2014 e o de Mineirinho em 2015. A narrativa de Márcia,
jornalista experiente que já trabalhou em veículos como o Jornal do Brasil,
O Globo, O Estadão e Jornal dos Sports, formada na UFRJ
segue uma forma linear e basicamente cronológica. Ela conversou muito com Adriano
e conseguiu abstrair passagens pitorescas e complicadas de uma carreira cheia
de dificuldades, mas que consumou um objetivo de vida com a obtenção do título,
lastreado por todos os adjetivos listados acima.
No início
Adriano de Souza passou por perrengues, alguns deles relembrados para o livro,
difíceis de acreditar para um jovem garoto que despontou em uma comunidade
praiana do litoral paulista. Lembro dele, garotinho, voando com desenvoltura na
valinha do Canto do Maluf, em Pitangueiras. Luiz Henrique Saboia de Campos
“Pinga”, percebeu o diamante bruto e tratou de lapidá-lo. O leitor desliza pela
história de Adriano, suas aventuras e desventuras, seus patrocínios e
incentivadores que participaram e ajudaram em sua evolução. Através de uma
narrativa muito bem elaborada por Márcia, culmina com o dia em que Mineirinho
venceu o Pipeline Masters e conquistou o título mundial, em uma mesma tacada,
na maior arena do surf mundial.
DEZEMBRO DE 2015 SINERGIA ILUMINADA
PARA A GLÓRIA MÁXIMA DE UM ESPORTISTA
A jornada de
Adriano para atingir seu objetivo principal é abordada em quase todos seus
aspectos ao longo do livro, que finaliza com um abrangente capítulo de
agradecimentos. Em meu primeiro volume de “A Grande História do Surf
Brasileiro”, também finalizo com uma página dupla chamando para o que virá
nos próximos volumes. Adriano é o protagonista. Lançado em 2019, uma grande
expectativa na ocasião era com relação às Olimpíadas de Tóquio 2020, nenhuma
pandemia estava no horizonte.
PÁGINA DE ENCERRAMENTO DE MEUS TEXTOS
NO VOL. 1
Quando parti
para fazer a primeira vernissagem do livro, na etapa brasileira da WSL em
Saquarema no primeiro semestre de 2019, Adriano de Souza foi presenteado com o
primeiro livro que autografei na Casa Corona. Duas de minhas postagens
preferidas no Blog Histórias do Surf, são as que fiz no final de 2015, logo
após a emblemática conquista de Mineirinho. Deixo os links aqui, mas voltem
para esta postagem pois tem mais belas histórias e um filme \ documentário
excepcional indicado abaixo.
https://surfdragonblog.blogspot.com/2015/12/retrospectiva-2015.html
https://surfdragonblog.blogspot.com/2015/12/adriano-mineirinho-campeao-do-mundo.html
O DRAGÃO E O CAPITÃO, CRIAS DO
GUARUJÁ
NA PRAIA DE ITAUNA, SAQUAREMA 2019
UM FILME – BRASIL SURF DOC. – Massangana Filmes
Um documentário
de alto nível, produzido naquele estilo com imagens de arquivo muito bem
garimpadas e ancorado em entrevistas variadas e elucidativas. Narrado pelo surfista
Evandro Mesquita, que viveu o mundo do surf naqueles anos 1970, traz
autenticidade com a empolgação que lhe é peculiar e merecida para uma
celebração desta envergadura.
PEPÊ LOPES SURFANDO NO HAWAII, AS
IMAGENS NA ABERTURA DO FILME COM OS CRÉDITOS SÃO FANTÁTICAS. NO FINAL MAIS
AINDA
A revista Brasil
Surf que durou de 1975 até 1979 foi o marco inicial para a imprensa do surf
no Brasil. Um produto admirável como revista e é destrinchado em todos os seus
aspectos neste doc. A trilha sonora da época é dosada de forma magistral e a
narrativa do início transporta o espectador para relatos de Bocão, Rico,
Otávio... Ícones do surf brasileiro e daquelas revistas, dos principais responsáveis
pela produção da revista Alberto Pecegueiro e Flávio Dias, dos fotógrafos que
eram os verdadeiros alicerces. A colagem de imagens ao final, ambientada ao som
de Raul Seixas, considero o ponto mais inebriante do filme.
DEPOIMENTOS FANTÁSTICOS
As imagens,
diversas páginas da revista reproduzidas, trechos do filme Nas Ondas do Surf
produzido por Maraca, e Terral de Klaus Mitteldorf, buscas no Arquivo
NACIONAL, no Cedoc da Globo e diversas fontes particulares, são de tirar o
chapéu. Brasil Surf Doc., produzido impecavelmente pela Massangana
Filmes e pelo Grupo Sal, são amarrados por um roteiro bem desenvolvido de:
No ano de 2014
tive o prazer de scanear cada uma das capas de minha coleção com as 19 revistas
BRASIL SURF e fazer uma postagem colocando uma breve descrição de
conteúdo delas.
https://surfdragonblog.blogspot.com/2014/02/brasil-surf.html
Cliquem no
link abaixo para assistir ao filme, com legendas em inglês (áudio em português),
pois está disponível através do trabalho esplendoroso da EOS (Enciclopédia do
Surf) organizada pelo jornalista, antigo editor da Surfer e autor de
diversos livros, alguns deles já indicados neste blog, residente em São
Francisco – Matt Warshaw.
https://www.eos.surf/videos/brazil-surf-magazine-documentary-full-length











































