terça-feira, 16 de julho de 2013

TOMA LÁ DÁ CÁ

Brasileiros NÃO ficam atrás

A perna da América Central acaba de ceder suas atenções para o US Open, em Huntington Beach. Depois de uma vitória norte-americana, Dillon Perillo em Cabo San Lucas e também uma australiana, Wade Carmichael em Acapulco, foi a vez do Brasil levar o 6 Estrelas em La Libertad – El Salvador.

Este point break de direitas é fantástico, nunca surfei lá (quem sabe um dia...), mas lembro de meus amigos do Guarujá – Sidão, Thyola, Zé Roberto Rangel & Cia..., que foram surfar por aquelas bandas no início dos anos 70 e ficaram pirados. Passaram por Puerto Escondido, de alegres. Pura aventura. Tudo filmado em Super 8.

Agora vem Petersinho e dá cabo do top 10 do WT, Josh Kerr, em ondas fantásticas e traz o título para o Brasil. Pincei três imagens do Surfline para instigar a euforia patriota. Estamos na metade do ano competitivo e a briga está boa. Já temos a vitória de Mineirinho em Bells. Vamos continuar na torcida. Falta vencermos um PRIME em 2013.


PETERSON CRISANTO SALTOU PARA A POSIÇÃO DE NÚMERO 42 NO WORLD RANKING, A VITÓRIA TRAZ INSPIRAÇÃO PARA SOMAR MAIS RESULTADOS


WILLIAN CARDOSO ESTÁ TENDO UM ANO CONSISTENTE. TEM A OPORTUNIDADE DE SE CLASSIFICAR SEM SER ALTERNATE AO FINAL DA TEMPORADA


CAIO IBELLI JÁ TEM A VITÓRIA NA CHINA E QUATRO RESULTADOS “ÚTEIS” NA TABELA. PRECISA DE UMA PONTUAÇÃO ALTA PARA ENTRAR NA ZONA DE CLASSIFICAÇÃO


O surf destes três encheu os olhos dos locutores internacionais. O caminho está sendo trilhado. TUBOS!!!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

FASCINAÇÃO

Personagens que viveram a história

Incrível como esta história do surf brasileiro é fascinante. Mergulhado neste projeto de pesquisa tenho conversado com diversas pessoas, gravado depoimentos, pesquisado em revistas antigas e novas (que remetem ao passado em matérias competentes), também dou surfadas diárias na internet, que se mostra um dos veículos mais eficientes da atualidade para encontrar informações, relíquias, acontecimentos úteis para um projeto desta envergadura.
Em breve estarei colocando aqui trechos de algumas destas entrevistas que fiz e também adicionando histórias que não tem como caberem dentro de um livro de apenas 400 páginas. Uma coisa que me deixa triste – não ter como tecnicamente encaixar tudo que é interessante em único volume – e ao mesmo tempo FELIZ: pois essa minha trajetória de pesquisa pode me levar a diversos subprodutos do livro, que naturalmente darão maior densidade a cada detalhe magnífico dos principais personagens.
Aqui abaixo, com legendas ilustradas, deixo um apanhado de algumas das participações que já pude angariar para ir enriquecendo a obra. E ESTAMOS APENAS COMEÇANDO – VOU A FUNDO

A ESPOSA DO PIONEIRO

DONA CIDIE COM SEU ÁLBUM DE RECORDAÇÕES DO MARIDO E ÍDOLO

No início deste ano fui até Campinas onde morava Osmar Gonçalves. Estive na casa em que ainda mora sua viúva, MARIA APARECIDA SIMON GONÇALVES (Dona Cidie). Gravei uma entrevista com depoimentos interessantes da vida em Santos nos anos 30. Vejam um trecho:
“Tinha um grupo pequeno na praia de José Menino, outro também menor na Ponta da Praia, mas a maior turma ficava no Parque Balneário. Diversos grupos. Na época eu tinha uns 10 para 11 anos. E já sabia quem era o Osmar por que ele era irmão de uma menina famosa, a Marília, que era a melhor aluna (mais velha um pouco), no colégio onde eu estudava, o Stella Maris. Ela era dois anos mais nova que ele, uma moça corretíssima. Através dela conheci Osmar, a partir de 1938, quando eles começaram a surfar.”


NA ESTANTE: TROFÉUS, ENTRE LIVROS E RELÍQUIAS...


DONA CIDIE COM A RÉPLICA DA PRANCHA QUE FICA NA CASA DELA EM CAMPINAS

Em breve trarei novos trechos de entrevistas com diversos personagens envolvidos com esta “Grande História do Surf Brasileiro”.

CONHEÇAM O SITE DO LIVRO

sexta-feira, 28 de junho de 2013

NO FORNO

Uma pitada do que está por vir...
Nos próximos dias estaremos lançando quase 20 web pages apresentando o Capítulo 1 do livro, mais uma prévia dos 7 primeiros capítulos. Estes serão disponibilizados na internet, um por mês, até o final do ano.
Para o livro como um todo (lançamento final de 2014) estão previstos 78 capítulos.
A imagem abaixo é um aperitivo do Capítulo 6, que trata dos primeiros Festivais de Surf dos Anos 70 em Ubatuba e Saquarema. No livro será apresentado em 16 páginas.

Os capítulos de MEMÓRIAS DO SURF (todos os capítulos ímpares do livro) trazem o desenrolar de nossa história de uma forma cronológica, o primeiro já tem seu texto publicado aqui neste blog, é só procurar abaixo. Este texto ainda será lapidado até o lançamento do livro.
Abaixo um exemplo da arte que Fernando Mesquita está preparando para dar uma ideia do Capítulo 5, ilustrado com esta foto antológica de Tito Rosemberg, um dos precursores do surf no Rio de Janeiro.

Os capítulos 2, 3 e 5 abordam o surf no RJ. O Capítulo 2 é uma grande matéria sobre a cidade do Rio de Janeiro, trazendo um mapa especial do artista Leandro Silva. No livro será apresentado em diversas páginas, trazendo momentos do passado e do presente do surf na cidade. Este sairá na internet até o final do mês de julho de 2013. Todos os capítulos pares são grandes e mais ilustrados, ao contrário dos capítulos de  Memórias, que trazem um maior carga de texto em poucas páginas.

Na medida em que forem saindo os primeiros capítulos dará para ter uma boa ideia do projeto. Todos os capítulos trazem vinhetas gráficas de Tom Veiga e serão apresentados na web de forma distinta do livro impresso, mas a identidade do projeto será mantida.

BREVE – NOVAS ATUALIZAÇÕES


CONHEÇAM O SITE DO LIVRO: www.hsurfbr.com.br COM MAIORES DETALHES

domingo, 23 de junho de 2013

A HIERARQUIA DO SURF

As duas pontes de prestígio



Na medida em que começo a interagir com o meio e o mercado do surf, começo a descortinar os critérios que terei de eleger para transformar este trabalho (a construção do Livro: A Grande História do Surf Brasileiro) em uma obra de verdadeira relevância.

Não só no surf, mas em diversas atividades da esfera humana, o sistema funciona de forma similar. Principalmente quando temos a questão “esportiva” em foco.

1) Quem angaria prestígio no surf é quem SURFA BEM. Os grandes surfistas de cada praia\região\era sempre foram ditadores de tendência. Estes surfistas adquirem uma forma de poder ao dominar os line ups quando surfam e também ao darem exemplo para as gerações que sempre se sucedem. São vencedores e inspiram os mais jovens a trilharem o mesmo caminho.

2) Além do ato do surf em si, a organização que estrutura o crescimento e gera poder vem de empresários do ramo, organizadores de eventos, personalidades da mídia (fotógrafos, escritores, apresentadores), shapers, técnicos, pessoas que tem envolvimento com o surf independente de se destacarem na água por suas performances, mas que respiram o lifestyle, entendem, influenciam, patrocinam, tomam decisões...

Existem pessoas muito especiais que unem estes dois fatores de prestígio hierárquico de forma equilibrada.

Cada amigo que converso, ou pessoa nova que acabo conhecendo, me traz novas luzes para este projeto.
Estarei introduzindo neste blog, agora com maior frequência, SEM UMA ORDEM ESPECÍFICA, de forma aleatória, mas de certa maneira coerente... Uma série de informações e histórias de como o surf foi se desenvolvendo no Brasil, através das mãos, pés, pranchas e mentes de personagens extremamente interessantes.

Estarei sempre aberto a todas as críticas e sugestões.

CONHEÇAM O SITE DO LIVRO PARA ENTENDER A IDEIA E O OBJETIVO FINAL DESTE PROJETO

sexta-feira, 26 de abril de 2013

PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO


PRÉVIA

Este é o primeiro capítulo que foi lançado na internet em 2013 com diagramação de FERNANDO MESQUITA. Grilão, como é mais conhecido no meio do surf, foi um dos fundadores da Revista Fluir, trabalha de forma premiada com publicidade e abraçou este projeto do livro. 
Fernando será o responsável por toda direção de arte das páginas.

Aqui neste BLOG traremos diversas peripécias da parceria: Dragão e Grilão. Em primeira mão AQUI ABAIXO o texto do primeiro capítulo do livro, que ainda será lapidado e enriquecido até o momento do lançamento do LIVRO IMPRESSO.

VEJA MAIS DETALHES NO SITE: www.hsurfbr.com.br

SANTOS ANOS 30 - "Pioneirismo"

Um fenômeno isolado

O primeiro registro documentado fotograficamente do surf no Brasil ocorreu na Cidade de Santos.

Um grupo de jovens, tomando como base uma matéria de Tom Blake, que explicava o processo de fabricação de uma prancha havaiana oca (Hollow Hawaiian Surfboard) para deslizar junto com as ondas do mar, cravou o primeiro marco na história do surf brasileiro.

REPRODUÇÃO DA CAPA E DA ABERTURA DA MATÉRIA DE TOM BLAKE EM 1937
(ilustrações extraídas do site: waves.com.br)

O surf no Brasil (para valer/ficar de forma definitiva) começou no Rio de Janeiro a partir dos anos 50; ponto!
Mas temos os registros da década de 30 em Santos. Embora o surf não tenha criado raízes e desabrochado deste fenômeno isolado, analisar este acontecimento é importante. É histórico.
Como em todo bom livro de “história” poderia me deter aqui em alguns parágrafos sobre a história do surf de forma geral, de suas origens no Havaí, no Peru e até na África... Hoje temos diversas fontes de pesquisa e filmes que retratam e especulam sobre o nascimento do surf, portanto, prefiro me ater à história do surf brasileiro.

Ancorado sobre este aspecto cabe aqui dar asas a uma ponderação...
Antes mesmo de eu começar a surfar, nos anos 60, meus pais se aventuraram rumo ao litoral norte de São Paulo e compraram um terreno na praia de Juquehy, município de São Sebastião. Era uma epopeia chegar até lá de carro. A jornada incluía balsa, pontes de madeira precárias, atoleiros e trechos com o carro na areia de diversas praias, driblando as ondas com a maré cheia e disparando para não atolar na areia fofa no momento de voltar para a estrada de terra para passar por trás, ou por cima, do morro que dividia a próxima praia.
Chegando em Juquehy as areias “latiam” ao corrermos sobre ela (Juquehy em tupi-guarani significa areias cantantes) e ali vivi uma das grandes emoções de meus tempos de garoto. Simeão Faustino, o caiçara de quem meus pais compraram o terreno, tinha uma canoa de pesca, típica do litoral paulista, debaixo de folhas de coqueiro, na orla da praia exatamente no local em que hoje fica o primeiro condomínio de várias casas geminadas construído em todo o litoral de São Sebastião, o “Porto Juquehy”.
Convidados por Simeão, eu e meu irmão Renato, sentamos nos bancos da frente enquanto Simeão entrou no mar para um passeio. Na volta... A emoção! Posicionado na popa da canoa ele dropou uma onda de meio metrinho, usando o remo como propulsor e leme. Veio dar na areia com uma velocidade alucinante. O que foi aquilo!?! Foi surf.
A especulação doida vem do fato destas canoas, escavadas de um único tronco de árvore, virem da tradição dos índios Guaranis, que habitavam estas praias. Agora paira a indagação: seria possível, em tempos pré-Cabralinos, estes mesmos índios terem sido os primeiros surfistas do Brasil, saindo da foz do Rio Juquehy, ou do Rio Boracéia (onde até hoje há uma tribo) e terem seguido para pescar no mar e voltado... surfando?

THOMAS & OSMAR
Bem, disso não temos prova, talvez algum surfista/antropólogo monte este quebra-cabeça, mas o que sabemos e temos registro é de momentos de surf em Santos ainda nos anos 30. Na pesquisa de Alex Gutenberg, há um quarto de século, para realizar o livro/revista “História do Surf no Brasil”(1), ele se deparou com três amigos de Santos: Osmar Gonçalves, Juá e Silvio, que praticavam surf na praia do Gonzaga, no final dos anos 30. Alguns anos mais tarde, através de John Wolthers (de família tradicional de surfistas pioneiros em Santos), Diniz Iozzi veio a conhecer Thomas Rittscher Junior e sua irmã Margot, que comprovaram ser ainda mais pioneiros, introduzindo-os aos veículos.


THOMAS RITTSCHER ACIMA (reprodução de abertura da matéria publicada na Revista TRIP) 
E OSMAR GONÇALVES (extraído da edição especial - A História do Surf no Brasil - da FLUIR) 
FORAM PERSONAGENS QUE MARCARAM A HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO PELO PIONEIRISMO

Foto: acervo da Família Gonçalves

Embora o surf não tenha frutificado de forma definitiva daquelas empreitadas, estes momentos têm registro fotográfico e podem, de fato, serem considerados os primeiros lampejos do surf em território brasileiro.
A base de estudos para a construção destas primeiras pranchas foi a publicação de um artigo na revista Popular Mechanics(2) em matéria publicada na edição de julho de 1937. Recentemente algumas réplicas destas pranchas foram construídas por carpinteiros navais de Santos e podem ser apreciadas na Faculdade Santa Cecília e no Museu do Surf, instalado no Quebra-Mar. Outras duas réplicas estão no acervo da revista Alma Surf e com a família Gonçalves em Campinas.
Thomas Rittscher nasceu em New York (1917), passou a infância na Ilha de Manhattan e faleceu em 2011 aos 94 anos, em Santos. Veio para o Brasil ainda muito novo (1930), continuou surfando até 1941, quando precisou se apresentar em virtude da II Guerra Mundial. Após o ataque a Pearl Harbor voltou aos EUA, mas acabou não precisando servir no front, sua irmã Margot ainda continuou surfando por mais tempo em Santos.
Thomas era o que podíamos chamar de “um jovem ativo e diversificado”. Atlético, praticou vela, remo, hipismo, saltos ornamentais, polo aquático, arremessou dardo e disco, jogava o ainda inexistente frescobol com tamborins de pele de gato. Ao ver a matéria na revista Popular Mechanics, decidiu que era aquilo (a novidade – o surf) que desejava fazer.
Não foram apenas Thomas e Osmar os precursores do surf, a irmã de Thomas, Margot e o amigo de Osmar, Silvio Malzoni, também foram mencionados. Um personagem que parece ser um pivô desta história é João Roberto Suplicy Hafers, descendente de franceses com alemães, seu pai começou trabalhando com café no porto de Santos e acabou se transformando num dos maiores corretores da época. Juá, como é conhecido, foi colega de Thomas, ambos partiam para “surfaris” colocando as pranchas num carro conversível para desbravar picos da região, pela descrição de Thomas, um deles parece ter sido a Porta do Sol. Thomas diz ter emprestado a tal revista para Juá e este teria entregado a Osmar.
Na reportagem de Alex Gutenberg, Osmar Gonçalves comenta que a revista foi trazida dos EUA por seu pai, que devido a ser um próspero exportador de café, viajava com frequência para a América do Norte. Segundo pesquisa de Cisco Araña, todas estas pranchas iniciais foram construídas com auxílio do engenheiro naval Júlio Pulz, isso no verão de 1938.


ESTÁTUA DE OSMAR GONÇALVES EM SANTOS
Foto: Panoramio (google images) de Stgarbulha

Osmar Gonçalves nasceu em 1921 e faleceu em abril de 1999, durante mais de uma década foi celebrado como o primeiro surfista do Brasil. Homenageado no Dia do Surf na Câmara dos Vereadores de São Paulo tem seu legado deixado para a posteridade como um dos precursores, continuou surfando até meados dos anos 40, ao casar-se mudou para o interior do Estado e abandonou o esporte, porém deixou sua imagem icônica ao lado do modelo de prancha de Tom Blake, construída no Brasil, hoje uma estátua na orla de Santos.
Mais do que consagrar Thomas (como o primeiro a surfar no Brasil) ou Osmar (como o primeiro surfista brasileiro), o fato histórico a ser destacado são os primeiros registros fotográficos de surf em território brasileiro. A atitude empreendedora de basear-se em uma revista internacional para praticar um esporte novo. A declaração de ambos de que ao ver do que se tratava tal artigo da Popular Mechanics, pensaram: “É isto que eu quero fazer!”. Assim nasceu o surf no Brasil. A possibilidade de outros personagens terem deslizado impulsionados por ondas brasileiras anteriormente, não pode, nem deve, ser descartada. 
Trabalho com os fatos coletados até esta data.
NESTE PROJETO DE PESQUISA, AINDA IREI ATRÁS DE OUTROS ACERVOS COMO O DA FAMÍLIA SUPLICY HAFERS - TENHO CERTEZA QUE PODEMOS ENCONTRAR +...

PRAIA DO GONZAGA
A cidade de Santos nos anos 30 vibrava como um das portas de entrada para a que viria a se transformar na maior cidade da América do Sul. Seu porto era o principal canal de saída para o maior produto de exportação do país, o café. Nesse tempo a maioria dos visitantes a São Paulo chegava de navio (o aeroporto de Congonhas foi inaugurado em 1936), outra opção era a estrada de terra batida “Rio – São Paulo” de 1928 (apenas em 1951 surgiu a pavimentada Via Dutra). Os famosos canais, que presenteiam Santos com uma geometria única, começaram a ser construídos em 1907.
No final dos anos 30 na praia do Gonzaga, ao redor do Canal 3, com suas ondas que quebravam gentilmente em direção à praia, formava-se o cenário perfeito para tentar a intimidade com estas pranchas que chegavam a pesar 80 quilos quando a água começava a penetrar em sua estrutura oca. Thomas comentou com Paulo Lima (em entrevista para o programa Trip – FM, na Rádio Eldorado), que “cheguei a tentar usar a prancha das duas formas, com o bico normal e com a rabeta apontada para a praia”. A experiência destes jovens era de pura alquimia, tentativa e erro. A verdadeira introdução do “novo” tendo como base uma matéria (mais técnica do que explicativa do esporte) em uma revista estrangeira.
Existe um elo perdido nesta história. Margot aparece surfando com uma prancha bem menor, apenas deitada, já no meio dos anos 40. O esporte foi abandonado em Santos? Aquelas ondas gentis e convidativas não atraíram novos adeptos?

OS IRMÃOS THOMAS E MARGOT
Foto: acervo Família Rittscher

Se esta “primeira” semente não germinou daquele instante histórico... Na década seguinte a cidade do Rio de Janeiro faria o papel de se transformar no parâmetro para o desenvolvimento do surf brasileiro, por algumas décadas.
ESSA HISTÓRIA SERÁ CONHECIDA NOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS...

Conversando como o professor Cisco Araña ele aventou algumas hipóteses. Existem especulações de surf em Santos já nos anos 50. No Rio de Janeiro ainda nos anos 40...

ESTE PROJETO ESTA SENDO INICIADO E TODAS AS COLABORAÇÕES DOCUMENTADAS SERÃO ORGANIZADAS E ARQUIVADAS ATÉ O LANÇAMENTO DO LIVRO IMPRESSO - 2018

Estarei sempre aberto a todos os tipos de comentários, críticas e sugestões.
Aqui no BLOG trarei muitos detalhes que acabarão não entrando no livro final por uma questão de espaço. 
Entrevistas na integra, álbuns de fotos que não teriam como caber no livro...



Por Reinaldo “Dragão” Andraus

quinta-feira, 25 de abril de 2013

RELÍQUIAS PRESERVADAS


AS PRIMEIRAS PRANCHAS DA VIDA
FOTO: SILVIA WINIK

O que realmente fez despertar o desejo de surfar em mim foi o filme Endless Summer - Alegria de Verão. Depois de assistir duas sessões e meia, de uma tacada só... Ganhar minha primeira prancha passou a ser uma obsessão. Isso foi a partir de 1967.
No início daquele ano meus pais haviam vendido o apartamento que tinham em Santos, entre os Canais 4 e 5. Compraram um no Guarujá, em frente a ilha de Pitangueiras. Em Santos, eu já brincava nas minúsculas ondas com uma tábua de madeira, tipo uma mini alaia, acho que desde os 7 para 8 anos, não sei dizer quando comecei. Era a brincadeira na praia.
Trouxe esta prancha para o Guarujá, mas lá ganhei uma de Isopor, o modelo chamado Planonda. Era o máximo, pois a alaia não sustentava meu peso (a não ser com velocidade), agora, na de isopor, dava para boiar. Fui evoluindo e vendo os surfistas “propriamente ditos” fazerem suas evoluções de pé naqueles pranchões.
Na verdade a primeira coisa que meu pai me ensinou em Santos, foi a pegar jacaré de peito, sem prancha, sem pé de pato, nada. Eu também era bom nisso, nadava bem, passava horas e HORAS, no mar. Desde muito jovem.

GAIVOTANDO
Uma de minhas distrações favoritas no Guarujá era o que os meus pais chamavam de ficar “gaivotando”. Eu ia sem prancha para a região entre a Ilha e o Morro do Maluf – que era chamada de Área de Surf – e ficava esperando os surfistas perderem suas pranchas. Fiquei especialista em resgatar pranchas perdidas (ninguém usava cordinha ainda) e devolvê-las aos donos.
Eu era tão politicamente correto, que nem tentava surfar com a prancha alheia. Ia remando para o fundo, na direção do dono e entregava. Na maioria das vezes voltava a nado de onde não dava pé. Isso com 10, 11 anos. Fui pegando traquejo para lidar com as pranchas pesadas, furar ondas, remar, nadar. Observava tudo que os surfistas faziam.
Eu ficava na beira, onde dava pé, só esperando os caras caírem. Saía como uma bala em direção à prancha perdida, por vezes estava com uma em cada mão. Até que chegou o dia de ganhar minha prancha. Uma Glaspac MK3, a estreia foi na Páscoa de 1969, com 12 anos. Um pouco antes, no verão 68\69, cheguei a alugar uma prancha do modelo Induma, toda branca, com duas faixas verticais. Elas ficavam em uma loja na Galeria Caminho do Mar, logo abaixo do meu prédio.
A Glaspac foi minha única prancha da Páscoa (abril) de 69 até os Finados (novembro) de 1970, quando estreei a minha São Conrado, já uma mini model (7’0”). Meus pais me levaram até o Rio para encomendar ela na casa do Coronel Parreiras. Ela tinha o bottom e a borda feitas com pigmento verde na resina. Um pin line e uma quilha preta e no deck o desenho do “dragão”.

O APELIDO
Este desenho foi feito em papel vegetal (ainda não haviam sedas), minha mãe ampliou com um pantógrafo, o pequeno desenho de um brasão da Escócia, que eu achei numa enciclopédia. Levamos o papel vegetal, já pintado com tinta nanquim, ao coronel. Vibrei ao desempacotar a prancha quando chegou do Rio.
Mal imaginava eu que ela me daria o apelido que carrego até hoje e sempre gostei, tanto que assinei a maioria de minhas matérias na Fluir, Hardcore, Venice, Alma Surf... Usando o pseudônimo ao lado de meu nome. O desenho era de um leão, mas meus amigos da turma do Guarujá cismaram que era um dragão. Nunca lutei contra isso. Simplesmente continuei dropando as ondas.
Neste blog resolvi fazer um apanhado com algumas fotos destas pranchas. Infelizmente não guardei nenhuma delas. Tenho 1 (única) foto minha surfando com a S. Conrado. A alaia rachou e joguei fora. Minha planonda foi doada para o Pardhal (Diniz Iozzi) e está no acervo do seu Museu, em Santos. A Glaspac vendi e não sei onde foi parar...
A prancha do Dragão... Recentemente encontrei uma foto no site Cameramar, do pioneiro surfista local do Guarujá: Udo. Esta foto irá me permitir um belo dia fazer uma réplica desta prancha para que o arrependimento de tê-la vendido acabe. Abaixo, em cada foto, seguem mais alguns comentários.

AS FOTOS
No início de 2013 percebi que o Alcino Pirata tinha em seu museu PIRATA SURF CLUB, em frente ao point do Maluf, pranchas iguais aos três primeiros modelos que usei. Entrei em contato com a fotógrafa Silvia Winik e produzimos estas fotos lá no canto da praia de Pitangueiras.

NO ACERVO DO ALCINO PIRATA ENCONTREI OS TRÊS MODELOS 
QUE USEI PARA COMEÇAR A SURFAR. FOTO SILVIA WINIK

UM DIA EU ESTAVA VOLTANDO MOLHADO DO SURF QUANDO UM AMIGO DAQUELA PRIMEIRA TURMA DO GUARUJÁ ME ENTREGOU UM ENVELOPE COM ESTA FOTO.
SÓ LEMBRO QUE ELE CHAMAVA ARMANDO, NUNCA SOUBE SEU SOBRENOME. DEPOIS ELE SUMIU DA CENA DO SURF NAS PITANGUEIRAS.

NESTA FOTO DA PARA VER BEM O DESENHO DO "DRAGÃO". QUEM ESTÁ COM A PRANCHA É O ALEMÃO LIMOEIRO, DE PÉ AO LADO DELE, MOISÉS BARSOTTI. SEU IRMÃO CARLOS "PRETO" BARSOTTI SEGURANDO A PRANCHA APARECE AGACHADO NO MEIO DE RUY GONZALEZ E DO CABELUDO MARCELO BRUXA.
AO FUNDO PRAIA DAS ASTÚRIAS SÓ COM O EDIFÍCIO TENDAS - INÍCIO DOS ANOS 70.

VISITEM MEU SITE: www.hsurfbr.com.br

No FACEBOOK também postei outras fotos destas pranchas.

Por Reinaldo “Dragão” Andraus

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

CORAGEM, MEDO e SUPERAÇÃO


(para o surfista comum) e nossos pros também

Uma das vantagens de abrir um blog é que podemos escrever de forma mais descontraída, sem se preocupar tanto com o veículo, políticas e pautas rígidas. Por ter escrito por tantos anos para Fluir, Hardcore, Venice, Alma Surf... Será um exercício interessante soltar o verbo aqui. Sem compromisso formal. Não perderei minha veia jornalística, mas... Vamos lá.

A capa da Surfer de outubro 2012, com a cobertura do
mega swell de Fiji e a chamada gigante FEAR (medo).
Muitos surfistas profissionais encararam seu limite 
nesta situação de ondas extremas.



SURF

Aos doze anos de idade descobri o surf (de pé – já praticava de “bodyboard” e jacaré há algum tempo) e minha vida tomou um SENTIDO.
Cidadão paulistano, vivendo a 100 kms do mar, cativado pelo impacto do filme Endless Summer.
Assistir a esse filme (no Cine Rio – Conjunto Nacional – Av. Paulista) mudou minha vida.
Passei a viver esperando o momento de surfar. De novo... E de novo.
Esperando o próximo swell, a próxima viagem.
A chance de estar próximo a boas ondas.

Uma das facetas mais cativantes do surf é o processo de aprendizado e evolução que os iniciados vivem. Cada dia na água, cada nova sessão de surf, há sempre uma descoberta. Uma forma evolutiva de fazer melhor o que aprendemos na queda anterior. E interessante como isso não para nunca, porque o surf não para de evoluir. E as ondas sempre entram diferentes, nunca vão existir duas iguais.
Fora a técnica para executar bem as manobras, aumentar o repertório, abordar as seções da onda de forma diferente... Usar a criatividade e a expressão corporal. O que mais instiga um surfista é superar seus limites em termos do tamanho das ondas desafiadas e da descoberta de seu próprio potencial.
É disso que vamos falar aqui.
Neste blog procurarei passar muito de minha experiência própria de mais de 40 anos surfando. De antemão declaro que nunca fui, nem me considero um big rider. Gosto de surfar ondas grandes. O máximo que dropei foram ondas de uns 5 metros de face, em Sunset Beach, no Hawaii, mas o que exporei aqui se aplica a qualquer surfista, nas mais diversas situações.

LIÇÃO DE VIDA
A escola, os pais e a educação familiar, os amigos com os quais nos relacionamos, o que estudamos e nos interessamos em ler e pesquisar, tudo o que vivemos...
Vai nos moldando para sermos, nos transformarmos no que somos.
O ato de surfar, em si, é muito construtivo. Pois naqueles momentos, por mais que tenhamos amigos por perto, é você e o oceano. O surf é um esporte individual, por vezes solitário. E quando entramos em um mar para surfar, principalmente se ele estiver MAIOR, precisamos entender tudo que está se passando ali. Saber que em momentos de emergência absoluta, que podem acontecer, talvez possamos contar apenas com “nós mesmos”. E talvez nossa força interior divina. Salva-vidas, amigos salvadores, podem aparecer, mas caso não... É você e o mar.
Lidar com o mar nos ensina muito para a vida do dia a dia.
Respeito.

SEM CORDINHA
Todo meu horizonte inicial de surf foram as ondas da praia de Pitangueiras, no Guarujá, minha primeira prancha foi um pranchão Glaspac MK3, pesado, mas que deslizava com desenvoltura. Cordinha? Ainda seria inventada. As primeiras aventuras adrenalizantes aconteceram assim.

Vamos ao cenário da época, alguns registros para os que desejam entender um pouco desta história e de como era para nós surfar no início. O primeiro ato de inconsequência foi quando perdi minha prancha surfando as direitas da Ilha, com uma ondulação de leste. Como de hábito nadei até a praia, levou um tempo, o mar não estava pequeno. Para minha surpresa a prancha não estava lá (não ninguém roubava um pranchão perdido naqueles tempos - Verão 69\70). Olhando para o mar descobri que a correnteza de leste havia arrastado a prancha para o outro lado da Ilha Pombeva, atrás da arrebentação. Sem titubear me atirei na água e saí nadando para o fundo, naquelas ondas cruzadas em frente à ilha, bem onde diversas placas “Mar Perigoso” ficam fincadas na areia. Um garoto de 13 anos enlouquecido, querendo se suicidar, ou era o que aparentava. Logo os salva-vidas começaram a apitar e se formou um paredão humano na beira para assistir a mais uma ocorrência. No meio do mar eu apontava para o outside e continuava nadando para o fundo. Eles apitavam cada vez mais alto. Eu segui no meu objetivo: nunca que eu iria deixar minha prancha (a única) sumir no mar. Por sorte uma onda finalmente a pegou de jeito e eu, que nadava com rumo certo, agarrei a borda, subi nela e voltei para tomar a dura e explicar a situação. Um pouco de conversa, tudo esclarecido e pude voltar ao que me interessava: surfar mais.

Me saí dessa graças à larga experiência de ficar durante quase um ano, depois de assistir ao filme e antes de ganhar esta minha primeira prancha, esperando as pranchas perdidas na beira da Área de Surf. Só para ter o prazer de tocá-las, senti-las, remar sobre elas, até que seus donos chegassem à beira. Porém...
As aventuras com o surf iriam ficando mais sérias...

Visual que eu tenho da ILHA de Pitangueiras. De 1967, 
quando comecei a frequentar, até hoje... 
Já vi todo tipo de mar aí. 
Este dia estava bem mais convidativo do que o descrito no texto abaixo. 
Foto tirada com meu celular.



COMO EU SAIO DESSE MAR?
Interessante, isso não deve ser muito problema hoje na era da cordinha (Leashes, leg ropes, estrepes, como queiram chamá-las), mas lembro de trocar uma ideia com diversos amigos meus e essa pergunta: “O que eu vim fazer aqui? Como eu saio desse mar agora?” Martelava nossa cabeça ao nos depararmos com situações um pouco além de nossa zona de conforto. Foram poucas vezes, mas me coloquei nesta situação, principalmente antes de entender todos os trejeitos do mar.

Um episódio radical foi quando eu tinha 17 anos. Minhas aulas em Sampa acabavam ao meio-dia eu almoçava e ia para a rodoviária, pegava um ônibus para a Ponta da Praia (ainda não havia estrada direto para o Guarú), uma carona na balsa e dava para pegar um final de tarde. Numa dessas sextas-feiras cheguei na maior fissura. Estranhei não ter ninguém no mar. Olhei o visual de cima do apê e pareceu que tinha umas direitas entre a ilha e o morro do Maluf. Varei em diagonal e só quando cheguei lá no fundo me dei conta da situação. Tinha umas ondas de uns 2 metros, no outside percebi uma correnteza em forma de redemoinho e eu olhava para praia e não via nenhuma alma viva naquela tarde cinzenta e já para anoitecer. Se eu dançasse no drop e perdesse a prancha ia ficar em maus lençóis para sair daquele mar. Não errei, não podia, surfei uma única onda e sai agradecendo a Deus.
Isso foi no final de 1973, já de pranchinha, no ano seguinte eu acabaria instalando um copinho nessa prancha (6’8”), a única de meu quiver na época. Logo eu, que era um “purista” – anti cordinha. OBS: esta foi a primeira prancha que guardei e tenho até hoje, até o início dos anos 70 tínhamos uma única prancha. Num outro post deste blog vou contar as histórias das cordinhas iniciais que produzíamos artesanalmente; ou também dos tocos de vela, que passava em meu pranchão Glaspac até o pavio ficar ciscando como uma minhoca entre o deck da prancha e a palma da minha mão.  Bem, voltando ao caso de vida ou morte, era comum naquela época entrar sozinho no mar. Porém, eu nunca havia passado tanto medo.

Em mares maiores, com amigos na água, ou até desconhecidos, mas colegas da mesmo tribo, o medo é mais facilmente controlado. O que acho muito interessante registrar aqui é esta faceta evolutiva do surf. De lidar com o medo natural do mar e ao mesmo tempo buscar superar os seus limites. A coragem é um dos fatores que está mais ligado ao surf em ondas grandes, pois nos colocamos em situação de risco. Temos que saber EXATAMENTE o que estamos fazendo e saber nossos limites contra a força daquele mar, entender o comportamento do mar para não entrar em pânico. No início há um pouco de inconsequência, mas este aprendizado nos leva a nos conhecermos intimamente. Saber exatamente quem somos com relação a uma situação de "enfrentamento". O desafio é uma das facetas mais arrebatadoras do surf. Desafiar o mar nos torna fanáticos, querendo mais e mais...
MINHA REGRA - DEPOIS DE ANALISAR BEM (SEMPRE DEVEMOS FAZER ISSO EM MARES GRANDES) PERGUNTAR A SI MESMO: "SE A MINHA CORDINHA QUEBRAR E EU TIVER DE SAIR NADANDO DESTE MAR - CONSIGO?". SE A RESPOSTA FOR POSITIVA - ENTRE.

No Hawaii e na Indonésia passei por boas aventuras nestas seis décadas (Anos 60\70\80\90\2000 e agora a Década de 10) de envolvimento com o surf. Meu blog está apenas começando, aguardem postagens ainda mais reveladoras no futuro. A única ideia é o entretenimento de quem tiver paciência para ler.


UM POUCO MAIS LONGE

Este ano de 2012 nos brindou com um dos momentos mais especiais da história do surf. Um dos momentos mais contraditórios, criticados, especulados, comentados na imprensa, debatido na internet e registrado “AO VIVO” na web. Foi o dia que fizeram apenas duas baterias do Volcom Fiji Pro, a espetacular etapa do WT da ASP em Tavarua, que espero que nunca mais seja suspensa do calendário. A chance que tivemos (pessoas ao redor de todo o planeta) de poder assistir aquilo ao vivo foi um acontecimento histórico.
O tema continua sendo o MEDO \ SUPERAÇÃO. Voando de um lado ao outro neste blog, vou fazer o link e comentar aí (aqui) até num espectro mais amplo, pois acho que cabe. Todas as pontas se juntam no final. Espero ser construtivo para o surf e os surfistas brasileiros.
Ponto número 1, nesta época e logo após a realização deste evento, a revista SURFING estava preparando uma (merecida) Edição Especial Brasil. - TODAS as matérias desta revista (com exceção de uma introdução abordando Fiji) foram focalizadas na interpretação do Surf Brasileiro.

Vou me reservar o direito de analisar alguns fatos aqui, da forma que eu poderia fazer apenas num blog (responsabilidade total minha), isento de vínculo a qualquer veículo, pois hoje estou trabalhando free lancer, debruçado sobre a proposta deste livro abordando a HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO (http://www.hsurfbr.com.br/).
Portanto vamos jogar ideias e reflexões aqui.

A capa da SURFING, caso este swell estrondoso não houvesse ocorrido, com certeza seria uma das "raras" oportunidades de aparecer um surfista brasileiro estampando a pole position de uma das 2 Grandes de San Clemente (dos USA).
Não foi! Ou foi, na folder interna.
Será que isso vale?

A SURFING de outubro de 2012 trouxe a chamada BLUE FRIDAY 
e uma foto do salva-vidas do North Shore, Dave Wassel, 
dentro de um tubo enorme e uma setinha 
apontando para a folder (> esta edição não é sobre Fiji). 
CLIC e AMPLIE
Na folder um recorte saturado de uma imagem da internet de Adriano de Souza 
vibrando após uma onda de bateria e a chamada: 
"Uma análise além do estereótipo dos BRAZOs".


Bem desta edição (que eles chamaram THE BRAZIL ISSUE) destaco 3 situações:
1) Não haveria nada de Fiji nela (nem a capa) caso as ondas não tivessem quebrado de forma tão espetacular em uma etapa do WT da ASP, com os olhos do mundo voltados para lá.
2) No editorial, escrito por Taylor Paul (atual editor chefe da Surfing), ele destaca em seu parágrafo final: "...os brasileiros estão chegando. Estão quase lá - Dave Wassel na capa é um exemplo perfeito deste quase; ao procurar uma foto de um surfista brasileiro que valesse uma capa, não encontramos - mas eles estão chegando."
3) Embora tenha havido todo um esforço e boa vontade dos editores para retratar o Brasil, o surf brasileiro, da melhor forma, eles ainda têm uma pequena falta de visão estilo (antigo): A capital do Brasil é Buenos Aires; ou achar que tem sucuris andando nas ruas de São Paulo. Coisas desse tipo... Aberrações de visão estereotipada.
Estou exagerando aqui, mas no passado era bem esta a imagem que guardavam de países do terceiro mundo, como o Brasil.

À duras penas e com o passar dos anos estamos lavando esta percepção.
Os norte-americanos sempre viveram naquela redoma deles, se achando... Melhores, que o resto do mundo. Apesar de terem chamado Steven Allain (Hardcore) e Ricardo Macário (Fluir) para colaborar em duas das principais matérias, no contexto todo da edição dá para sentir um ar meio debochado com relação aos emergentes terceiro-mundistas. 
Mas isso não tira o mérito de analisarmos como nos enxergam, vestirmos a carapuça (no que for positivo) e continuar nossa trajetória.
Afinal de contas, ainda não temos nosso campeão MUNDIAL - exceto Burle, Phil Rajzman, Fabio Gouveia, Maya, Picuruta na ISA, Pedro, Adriano, Pablo e Caio entre os juniores, Danilo Couto mais recentemente e etc...
O que podemos tirar disso tudo?

Chegou o momento de fazermos a volta completa ao ponto de partida do texto. Aproveito a situação para deixar meu ponto de vista particular aqui. Acredito que foi correta a decisão da ASP (aí englobo: comissão técnica, direção de prova e representantes dos atletas) de suspender o Volcom Fiji Pro naquele fatídico 8 de Junho de 2012. Duas visões:
a) Se continuassem chamando as baterias acredito que todos os tops entrariam, alguns sub-equipados, ondas perfeitas quebrariam vazias, ou por estarem fora de posição, ou por já estarem numa roubada na zona de impacto, ou até por não sentirem condições de descer determinada onda, ou deixariam passar por pura estratégia.
SERIA UM DESPERDÍCIO
b) Com a Volcom deixando o sinal aberto na internet, muitos amantes dos webcasts tiveram uma chance ÍMPAR de presenciar um dos maiores espetáculos que o mundo do surf já testemunhou. Os big riders estavam lá, com suas guns e este momento de glória era deles. Estas ondas raras foram aproveitadas em sua plenitude por quem se atreveu.
ISSO FOI MELHOR analisando como um todo.
A situação era de um "outro" esporte naquele momento. Vejam que nem Kelly Slater arriscou o pescoço naquele dia (nem em Teahupoo fora de controle no ano anterior). E o show da ASP voltou no dia seguinte, espetacular, como esperado. Coincidentemente, Slater acabou vencendo os dois eventos pós mega swell. Depois que ele abandonar o Tour tenho (quase) certeza que vai se atrever em ondas assim. O cara é muito esperto e tem o foco em seus objetivos... Por que arriscar uma contusão no meio de uma temporada vencedora?

MORAL DA HISTÓRIA
Para nós brasileiros, lidar com este tipo de situação extrema, é sempre mais difícil do que para surfistas acostumados com ondas desta magnitude.
Vamos ligar agora a história da capa da Surfing, com a capa das revistas brasileiras que cobriram este swell. Por que a Surfing não colocou um brasileiro surfando em Fiji naquele dia, coroando uma edição temática perfeita?
Talvez eles não tenham ido com afinco atrás das fotos???

Um mosaico com algumas das revistas brasileiras nas 
edições que retratavam a cobertura deste swell épico. 
Reparem que até a Fluir optou por colocar uma foto de Kohl Christiansen na capa. 
A Hardcore estampou Lapinho Coutinho e a 
Surfar trouxe uma bela onda de Stephan Figueiredo.

Vamos a analise:  A Surfar ficou com o material de Fred Pompermayer, o único fotógrafo brasileiro (radicado na Califórnia) que esteve presente no evento. Fluir e Hardcore acabaram utilizando material da ASP e de fotógrafos internacionais.
Diego Silva, Lapo e Stephan saem em boas fotos nos veículos brasileiros. Capa gringa? Não foram editados. A Surfar traz uma foto em página dupla de Danilo Couto abandonando o “navio” ao ser pego pela série do dia. Aquela onda GIGANTE que ninguém dropou. Não encontrei fotos de ação dele desse dia. Danilo é um dos mais competentes e respeitados big riders do planeta. A coisa estava difícil por lá. Acredito que se a Surfing tivesse uma boa foto dele naquele dia, não hesitaria em colocar... Na capa.
Muitas vezes estes veículos recebem boas fotos de brasileiros e nem sabem quem são. As fotos acabam indo para o “reject” e se os fotógrafos não procurarem nossos veículos, ficam perdidas. Nos anos 80 e 90, quando trabalhei para veículos brasileiros cobrindo a temporada havaiana, eu fazia verdadeiras peregrinações nas casas dos fotógrafos do North Shore atrás das melhores imagens de brasileiros para publicar aqui no Brasil.

Bem, a moral de tudo isso é que naquela circunstância perdemos a oportunidade de uma capa da Surfing. Vamos continuar nossa trajetória de evolução. Lembro que Carlos Burle já estampou uma bela capa da Surfer, em Ghost Trees, na Baía de Monterey e Sylvinho Mancusi e Pato também fizeram belas capas da Surfing Life australiana em ondas de bom tamanho. A minha preferida (capa de revista gringa com brasileiro) é uma de Guilherme Herdy no Jornal Tracks (antes dele virar revista), em G-Land. Inclusive o junior citado acima, Caio Ibelli, que saiu recentemente, com 17 anos, numa capa da mesma Surfing, dropando uma onda de bom tamanho na Indonésia. Um belo dia ainda vou tentar postar TODAS estas capas brazucas aqui...

Porém, face às condições raras de big waves em nosso território, realmente é mais árduo nosso caminho para ganhar a experiência e por tabela a CORAGEM e SUPERAÇÃO para lidar com este tipo de situação.

Patrocinadores: ajudem nossos talentos mais corajosos a se graduarem em mais esta empreitada. Um caminho para poucos, mas que está sendo trilhado de forma brilhante pelos brazucas mais destemidos.

Para quem dropou aqui e ainda não teve o prazer de apreciar este memorável swell em Fiji, aqui vai um clip do you tube de 6 minutos. CONFIRA


Recorte da onda de Raoni Monteiro em que ele machucou o joelho. 
Por um triz ele não sai desse tubo. 
COMO??? 
Com todo o circo da ASP lá (fotógrafos e etc...) 
ninguém conseguiu produzir uma capa de Raoni nessa onda?

Para pensar...

Ao assistir - destaque para as duas ondas do chileno Ramon Navarro. De tirar o fôlego até assistindo.


ALOHA – FIJI. 
Não sei quando seremos contemplados com outro espetáculo desse calibre?

Por Reinaldo “Dragão” Andraus