quinta-feira, 28 de novembro de 2013

CAPÍTULO 6

OS GRANDES FESTIVAIS DE SURF "Ubatuba e Saquarema"

REPRODUÇÕES BRASIL SURF

INTRODUÇÃO
Este é o primeiro capítulo que aborda com maior profundidade as competições de surf realizadas no Brasil. Nos capítulos de “MEMÓRIAS” as competições aparecerão pontualmente, mas foram selecionadas seis eras de campeonatos que receberão um enfoque especial com capítulos grandes apresentados em diversas páginas, a saber:

OS GRANDES FESTIVAIS DE SURF - "Ubatuba e Saquarema"
WAIMEA 5000 - "Brasil no Circuito Mundial"
ESCALADA PROFISSIONAL - "Campeonatos pelo País Afora"
NASCE O CIRCUITO BRASILEIRO - "Formação da Abrasp"
WCT & WQS EM NOSSAS ÁGUAS - "ASP South America"          
SUPER SURF + BRASIL SURF PRO & "Momento Atual”

Apenas o primeiro destes capítulos será apresentado aqui no BLOG antes do lançamento do livro impresso.
Como pode ser verificado, alguns dos resultados ainda estão incompletos, pois o Projeto de Pesquisa segue por todo o ano de 2014. A comunidade do surf está convidada a participar com informações e sugestões. Além dos depoimentos aqui apresentados, muitos outros ainda serão colhidos e pesquisadas nos veículos da época.

Vamos ao primeiro esboço deste texto:

CAPÍTULO 6
Vinheta “CAMPEONATOS” (by TOM VEIGA)


Campeonatos de surf no Brasil começaram a ser organizados no Rio a partir de 1965, em São Vicente e no Guarujá a partir de 1967, porém o primeiro evento nacional, um marco na história do surf brasileiro, foi o Campeonato de Ubatuba de 1972.
Os festivais de surf dos anos 70 abriram o precedente para que o esporte viesse a se transformar em um dos mais bem organizados e estruturados, inclusive em nível internacional. Este capítulo tratará dos eventos que foram realizados nos anos 70 em Ubatuba e Saquarema. Não havia circuito brasileiro e os vencedores destes campeonatos (anuais), angariavam um respeito de “Campeão Nacional de Surf”. Eram o grande momento de congregação da tribo. Uma oportunidade de troca de experiências e alta evolução de performance.
É importante entender que o contato que o Brasil tinha com as forças internacionais do surf: Havaí, Califórnia, Austrália e até o Peru que já estava bem mais avançado que o Brasil e tinha um campeão mundial: Felipe Pomar em 1965, era mínima – principalmente através das revistas. Filmes eram raros e poucos brasileiros, como Penho, haviam tomado contato com o cenário internacional.
Os formatos de julgamento foram sendo estudados, construídos com informações e critérios que evoluíam anualmente. A princípio o próprio entendimento dos surfistas que competiam era baixo. Problemas de julgamento e dúvidas eram infinitamente maiores que as polêmicas atuais. O que era mais importante naqueles anos embrionários? 
A vivência e convivência. A evolução e consagração.

OS MELHORES DO BRASIL
O esporte surf, individual, estético e vigoroso, sempre foi uma forma de expressão corporal de gerar orgulho. Além do ato prazeroso em si de surfar bem uma onda, que surfista não gosta de saber se os amigos viram a sua onda, a manobra que pegou na veia? Os campeonatos expandem este universo para o público na praia e hoje até na internet. O surf tem estas duas vertentes de certa forma antagônicas, o surf livre (free surf) em sua expressão mais pura. E o clima competitivo, de comparação de performance, culminando como os campeonatos e seus campeões nos mais diversos escalões. O feeling do surf estará retratado em diversos momentos deste livro, os capítulos de campeonatos trazem especificamente a sensação da vitória, da superação, de “arrasar” todos os adversários e atingir o topo do pódio. O estrelato como um atleta de competição vencedor.
REPRODUÇÃO DO LIVRO "HISTÓRIA DO SURF NO BRASIL" DE ALEX GUTENBERG. 
SURFISTAS DECOLANDO PARA BATERIA EM ITAÚNA. RICO DE SOUZA EM UBATUBA E A 
EQUIPE MAGNO (A PRIMEIRA DO BRASIL) EM FOTO ANTOLÓGICA DE ROGÉRIO EHRLICH EM 1975 

Os principais surfistas brasileiros estarão presentes nestes capítulos. Começamos enfocando as competições da década de 70, especificamente os campeonatos de Ubatuba, os Festivais Nacionais, que começaram em 1972 e os eventos de Saquarema, a partir de 1975. 
Para ilustrar esta postagem do blog estarei me baseando principalmente em reproduções da minha coleção de revistas e imagens garimpadas da web. Para o livro impresso primaremos pela qualidade e tratamento das imagens históricas mais relevantes e impactantes.
Vamos a uma viagem cronológica partindo do início dos anos 70.

NASCE O FESTIVAL DE UBATUBA
Paulo Jolly Issa, nascido em 1949 e seu irmão Ricardo foram dos pioneiros do surf paulista. Começaram surfando com uma prancha de madeirite, no ano de 1966 em São Vicente. Um dos primeiros a desbravar as praias de Ubatuba, acabou estabelecendo um padrão nacional para a organização de campeonatos de surf. Pesquisou regras, foi juiz, fundou a ASU (Associação de Surf de Ubatuba) e atingiu a presidência da Abrasp em 1988. Um “professor” em termos de fazer um evento de surf acontecer como um relógio suíço. Como trabalho principal dirigia a fábrica de pranchas Squalo, trabalhando com diversos shapers. A fábrica orbitava ao redor deste universo, Paulo chegou a investir capital da Squalo para manter a ASU operando.

Vamos deixar ele contar o início dessa história: “Os anos 50, 60 e 70... Foi uma época em que o surf estava em ebulição. Fatos novos aconteciam a todo o instante. Novos picos, evolução das pranchas, surfwear, campeonatos maiores...”
Paulo Issa continua, “Em 1970 foi realizado um primeiro campeonato em Ubatuba, quem organizou foi um pessoal da Boate Da Pesada, frequentada pelos surfistas de noite na praia do centro. O primeiro evento teve vinte e poucos participantes, só o pessoal que surfava em Ubatuba. Surfamos no Baguary da praia Grande e os juízes sentavam em cadeiras de alumínio. Eu acabei ficando em primeiro, com meu irmão Ricardo Issa em segundo, na final ainda estavam Renato e o Fabinho Madueño. O Bruzzy era o mascote da turma com 13 anos.
RICARDO ISSA ITAMAMBUCA. 
FOTO: KLAUS MITTELDORF

Para o segundo campeonato, em 1971 eu e meu primo fizemos umas cartolinas, escrevemos à mão: ‘Campeonato de Surf – Ubatuba...’ e fomos de Fusca, saímos às 6 da manhã para o Guarujá, afixamos no centrinho, na sorveteria, não falamos com ninguém e fomos embora para Ubatuba. Eu lembro que um dia antes do campeonato, janeiro de 1971, estávamos treinando ali na praia Grande e de repente vimos uma caravana, com diversos carros com pranchas na capota. A turma veio!!! Uma galera de uns quinze em três a quatro carros. Veio Égas, Roberto Teixeira... O Thyola foi um dos juízes. Égas Muniz Atanázio era o favorito, mas quem acabou ganhando foi o Zé Maria Whitaker. O Égas tinha um surf australiano, ele estava com uma São Conrado biquilha, de rabeta larga e fazia manobras que ninguém conseguia igualar.
ÉGAS, INDISCUTIVELMENTE O MAIS TALENTOSO SURFISTA DO GUARUJÁ NO INÍCIO DOS ANOS 70.
FOTO ARQUIVO PESSOAL PARDAL (GUARUJÁ DAS ANTIGAS)

No final de 71 criei a ASU (Associação de Surf de Ubatuba), já pensando no campeonato de 1972. Para este já fizemos cartazes com silk. Pegamos o carro e fizemos a mesma coisa, mas em três finais de semana diferentes, para Santos, depois o Rio e também Guarujá. Consegui inserir chamadas na Rádio Mundial do Rio. Veio bastante gente. O segundo campeonato foi em barracas, mas para este terceiro evento já consegui um palanque com a Prefeitura de Ubatuba. Fizemos duas fases e as ondas ficaram muito pequenas, lembro que subi em cima do palanque e falei: o campeonato está adiado para julho.”
Naquele janeiro de 1972 Paulo Issa não teve outra opção. Vou deixar aqui um relato particular de minha experiência. Também vi aqueles cartazes na sorveteria do centrinho do Guarujá. E ouvi meus amigos, que haviam participado do campeonato de 1971, apenas com surfistas de Ubatuba e do Guarujá, falarem muito bem do astral da competição. Em 1972 eu sabia que o evento seria nacional e teríamos a oportunidade de ver os cariocas surfando. Eu tinha 15 anos, surfava há três anos e numa manhã de janeiro parti com meu pai e meu irmão. Do Guarujá fomos até Bertioga atravessamos a balsa e seguimos por 100 quilômetros de terra e areia, até a Cidade de São Sebastião. Nesse trecho a Rio-Santos era uma estrada de terra, a serra de Maresias enlameada era um “Deus nos Acuda”. Nos trechos iniciais das praias maiores – Bertioga, São Lourenço, Itaguaré, Guaratuba e Boraçéia o carro descia para a areia e disparávamos por aquelas praias amplas e desertas. O problema ali eram os diversos riachos que desciam até o mar, às vezes cavavam degraus perpendiculares à praia e o carro saltava se atingisse um desses em alta velocidade. O problema maior era na maré cheia, muitos carros foram engolidos nesse percurso. Ao chegar nos morros que separavam as praias tínhamos de voltar para a estrada de terra subindo naqueles “areiões” fofos, que também eram outra armadilha convidando para uma atolada. Fazia parte da aventura. O pior foi quando no início da tarde enfrentamos uma chuva de verão daquelas. O trecho final, de Maresias até São Sebastião, quase todo em serrinhas de sobe e desce, foi realizado a 20 por hora, com derrapagens controladas. Sorte que meu pai era um bom piloto. Mais um festival, um verdadeiro campeonato, de curvas de Caraguá até Ubatuba, agora no asfalto, quando o carro apontou na praia Grande já era noite. Sete, quase oito horas depois que saímos do Guarujá, vimos o palanque, algumas barracas, mas fomos procurar um hotel no centro.
O PALANQUE NA PRAIA GRANDE DE UBATUBA, I972.
FOTO ARQUIVO PESSOAL PAULO ISSA.
REPRODUÇÃO DO LIVRO DE ALEX GUTENBERG, 
PUBLICADO PELA EDITORA AZUL.

Na manhã seguinte o 3º CAMPEONATO DE SURF – UBATUBA 72, o primeiro “Festival Nacional” começou em ondas bem formadas de meio metrinho no canto esquerdo da praia Grande. O surfista que mais me chamou a atenção por sua apresentação foi Rico de Souza, com estilo ágil, buscando aproveitar todas as seções da onda, fazendo hang fives “strech”, com cinco dedos no bico de sua pranchinha. Daniel Friedmann, Carlos Mudinho e outros que eu nem sabia quem eram, me impressionaram. Meu ambiente de surf era o da praia de Pitangueiras no Guarujá. Lá havia grandes surfistas como Roberto Teixeira, Égas, Zé Roberto Rangel... Mas o nível dos surfistas cariocas era muito superior. Passei uma bateria e perdi na segunda fase. O campeonato foi paralisado por falta de ondas. Um amigo do Guarujá me convidou para ir conhecer uma praia secreta. Paulão (Paulo Kristian Orberg) tinha uma VW Variant e partimos para Itamambuca, por uma estrada sinuosa, com pontes de madeira e muita mata. Quase uma hora depois chegamos na desembocadura de um rio e... Incrível!!! Ondas de um metro e meio abriam lisas e perfeitas. A praia Grande estava praticamente flat. Só nós dois na água, por mais de uma hora, apenas uma mutuca apareceu no outside nos perseguindo. O jeito foi driblá-la com uma série de cutbacks.
Esse pico secreto não seria guardado à sete chaves por muito tempo. Não fui para o Festival de Ubatuba em 1973, mas no evento de 74, quando voltei, ele foi todo disputado lá, em altas ondas. Lembro de uma cena que ficou gravada em minha cabeça. Nas seções de free surf antes do campeonato, um surfista do Rio de Janeiro pegou um tubo alucinante, na minha cara, em uma direita na boca do rio. Fui perguntar quem era: Marcos Berenguer. Ele acabou vencendo aquele campeonato de 1974.
MARCOS BERENGUER NO CANTO DE ITAMAMBUCA.
FOTO BRASIL SURF

OS PRIMEIROS NACIONAIS DE UBATUBA
Em julho de 1972, quando a turma voltou a Ubatuba, em pleno inverno, a fama do campeonato estava angariada, além dos surfistas que estiveram lá em janeiro, apareceram muitos mais, até de outros estados. Paulo Issa: “Começamos da estaca zero, vieram muito mais surfistas. O Rico venceu, o surf dele era muito evolutivo, andava com uma velocidade incrível, usava muito a parte da frente da prancha. Nestes primeiros eventos julgávamos em cadeirões e a preocupação maior era ir atrás das melhores ondas. A final de 1975 foi transferida para a praia Vermelha do Norte.”
O campeonato de 1973 teve suas eliminatórias na praia Grande e as finais foram realizadas em Itamambuca. Já naqueles primeiros eventos, além do apoio da prefeitura da cidade, Paulo isso conseguiu alguns apoiadores:
PATROCÍNIOS
73 Varig - Rico ganhou uma passagem para o Peru (depois ele estendeu para a Califórnia)
75 Gledson – material, cartazes, troféus, faixas, camisetas

RESULTADOS
Festival Brasileiro de Surf de Ubatuba (SP)

1972 Rico de Souza (RJ)
2º Marcos Berenguer (RJ)
3º Daniel Friedmann (RJ)
4º Betão Marques (RJ)
5º Ricardo Bocão (RJ)

ÚNICA FOTO DO PÓDIO ENCONTRADA DO PRIMEIRO FESTIVAL DE UBATUBA EM 1972.
BETÃO (4), BERENGUER (2) RICO (1) DANIEL (3) BOCÃO (5). AUTOR DESCONHECIDO?
PAULO ISSA ENTREGANDO AS PREMIAÇÕES

1973 Rico de Souza (RJ)
2º Rossini Maraca (RJ)


1974 Marcos Berenguer (RJ)
2º Daniel Friedmann (RJ)

DANIEL FRIEDMANN, ITAMAMBUCA. FOTO KLAUS MITTELDORF

1975 Otávio Pacheco (RJ)
2º Carlos Mudinho (RJ)
3º Lary Ipanema (RJ)
4º Juan Alberto (RJ)
5º Cisco Araña (SP)
6º Décio Dias (SP)
O FOTÓGRAFO BRUNO ALVES ORGANIZOU UM BELO BLOG COM O ACERVO DE 
IMAGENS INCRÍVEL. PROCUREM O BAÚ DE KLAUS MITTELDORF NOS ANOS 70

O campeonato de Ubatuba não ocorreu nos anos de 1976 e 1977, voltando em 1978 com o bicampeonato de Otávio Pacheco. A lacuna não foi tão sentida porque já em 1975 nascia o Festival de Saquarema, que teria seus anos áureos justamente neste período.

FOTOS DE NILTON BARBOSA NA BRASIL SURF, 
1978 COM OTÁVIO PACHECO ACIMA,
 MAIS WADY, CISCO, CACAU e PAULO PROENÇA

SAQUAREMA
Destaco que Saquarema será protagonista de um capítulo inteiro do livro com a vinheta “PICOS DE SURF”, portanto aqui o foco será sobre as competições lá realizadas.
Quando foi lançada a revista BRASIL SURF em uma de suas páginas da primeira edição foi apresentada uma lista de convidados – abaixo:


O primeiro CAMPEONATO DE SAQUAREMA foi realizado em maio de 1975, a cobertura do evento saiu na edição número dois da Brasil Surf e trazia o seguinte parágrafo: “O IV Festival Nacional de Surf se caracterizou por quilos de gente dos lados dos palanques, batalhões de guardas, salva-vidas, pescadores, jurados, helicópteros, prefeito, máquinas fotográficas, binóculos, câmeras de TV, gatas e até surfistas.”
GUSTAVO CARREIRA, FOTOS DE MÚCIO SCORZELLI PARA A BRASIL SURF

Assim foi marcada a estreia do “Maracanã do Surf” (ainda nem haviam inventado esta alcunha) para as competições de surf. De 1975 a 78 ocorreram quatro eventos épicos. Em 79 e 80 o campeonato de Saquarema também teve um hiato por falta de patrocínio.
Os resultados eram um verdadeiro “quem é quem” do surf brasileiro na época:
RESULTADOS
Festival Nacional de Surf de Saquarema - Rio de Janeiro

1975 Betão Marques (RJ)
2º Ricardo Kadinho (RJ)
3º Rico de Souza (RJ)
4º Paulo Proença (RJ)
5º Otávio Pacheco (RJ)
6º Rossini Maraca (RJ)

RICO SAQUAREMA 1976 - FOTOS BRASIL SURF

1976 Daniel Friedman (RJ)
2º Paulo Proença (RJ)
3º Pepê Lopes (RJ)
4º André Pitzalis (RJ)
5º Cauli Rodrigues (RJ)
6º Paulo Rebbechi (RJ)
7º Lary Ipanema (RJ)
8º Betinho Lustosa (RJ)
9º Rico de Souza (RJ)
10º Marcos Berenguer (RJ)

RONALDO LUDOVICO E PEPÊ LOPES, SAQUAREMA - BRASIL SURF. FOTOS RATINHO E FREDDY KOESTER

1977 Pepê Lopes (RJ)
2º Daniel Friedman (RJ)
Ricardo Bocão (RJ)
Fábio Pacheco (RJ)
5º Otavio Pacheco (RJ)
6º Rico de Souza (RJ) (CHECAR ORDEM CORRETA)

CAULI RODRIGUES ENCAIXADO, SAQUAREMA 78. EXTRAÍDO DA BRASIL SURF

1978 Cauli Rodrigues (RJ)
Ianzinho Martins (RJ)
3º Otávio Pacheco (RJ)
4º Rico de Souza (RJ)

Em 1975 a Brasil Surf publicou os resultados de duas categorias, além da principal, já havia a JUNIORS para surfistas com menos de 18 anos.

REPRODUÇÃO DE PÁGINA DA BRASIL SURF – ANO 1 – N. 2 JUL/AGO 75

Para estes primeiros campeonatos os surfistas enfrentaram todos os tipos de condições, de ondas pequenas e tubulares com terral, abrindo direitas e esquerdas, a mares de responsabilidade e pressão. Em 1975 os finalistas decidiram o campeão em ondas pesadas. Betão o vencedor levou uma passagem da Pan-Am (que era a principal patrocinadora) para o Havaí.
Em 1976, devido ao sucesso do evento inaugural, a Rede Globo entrou na parada, bancando a realização ao lado da Riotur e da Flumitur, já tendo as lojas Ala Moana atuando na promoção. A Ala Moana acabou sendo a patrocinadora principal dos campeonatos de 1977 e 1978. Em 1981 Saquarema voltaria ao cenário com patrocínio do Guaraná Brahma.
RITA LEE, FOTO FEDOCA

O Festival de 1976 tomou grandes proporções com a mídia da Globo, além de outros veículos como o Jornal do Brasil, Canal 100 e revista POP da Editora Abril. Um festival de rock também trouxe um grande público não só dos interessados no surf, mas também hippies e pessoas que queriam viver aqueles dias de liberdade e curtição.

REPRODUÇÃO DA REVISTA SUPER SURF EDITADA EM 2005

CURIOSIDADES SOBRE O EVENTO DE SAQUAREMA
Uma característica destes campeonatos era de serem realizados apenas nos finais de semana, caso as ondas estivessem pequenas, ou não fosse possível finalizar as baterias previstas até domingo... A continuação seria no próximo sábado.
Em 1975 foi fundada a ASS (Associação de Surf de Saquarema), seguindo os moldes da homônima de Ubatuba.
A sequência de competições que foi deflagrada nos anos 1970 fez com que a estruturação do surf fosse buscada, incansavelmente. O único veículo especializado da época, a Brasil Surf, sempre apontava sugestões e críticas visando uma evolução do esporte em todos os sentidos.
Alex Gutenberg, em seu livro “A História do Surf no Brasil”, de 1989 coloca, “Desde que foram inventados os festivais, o surf cresceu bastante, virou moda, cativou a juventude e explodiu em Saquarema... cidade que foi levada junto com o esporte/atividade/entretenimento chamado surf aos limites mais suportáveis possíveis de energia, divulgação e até confusão. Mexeu com a sociedade do final da década...”
PAULO TENDAS, ITAÚNA - FOTO KLAUS MITTELDORF

Outro aspecto interessante era o julgamento e a construção das listas de convidados, sempre controversas. O número total foi diminuído após os primeiros eventos. A maioria dos convidados eram do Rio e Manoel Urbano, dono da Ala Moana, solicitava que Paulo Issa montasse uma pequena lista de paulistas, baseada no ranking dos campeonatos de Ubatuba. Paulo Issa também era convidado para julgar os campeonatos de Saquarema, atuou ao lado de Penho, Piuí, Mário Bração e também Persegue em alguns eventos. As notas eram somadas pelas meninas.
WANDERBILL - EXTRA JURI, PRANCHETA IMPROVISADA EM SAQUAREMA.
CUTBACK IMPONENTE DE DANIEL FRIEDMANN

Naquele tempo o bairrismo entre paulistas e cariocas (principalmente), mas entre surfistas do Guarujá e Santos também, era bem mais forte que hoje em dia. Paulo Issa conta um episódio folclórico, hilário e até assustador do campeonato de Saquarema de 1978: “Teve uma bateria que foi o Paulo Tendas, do Guarujá, contra o Ratão (Paulo Proença). O Paulinho arrasou e todos os juízes deram empate. Mas na minha prancheta o Tendas havia vencido por uns 6 a 7 pontos. Eram quatro juízes e naquela época não descartava nenhuma nota. Invadiram a água, invadiram o palanque. Ficou aquele burburinho e quem foi o xerife da história? O Bocão.”
Bocão falou: “Ele tem a opinião dele, ele é juiz. Ele tá dando a nota, é o Paulo Issa.” Foi o que segurou, porque o pessoal ia virar o palanque. Ele foi um escudeiro ali – comentou Paulo Issa.
Como foi resolvida essa situação? Acabaram “repescando” os terceiros resultados e chamaram mais outros surfistas... E o campeonato, ao invés de terminar neste final de semana, acabou sendo adiado para o seguinte.
Paulo Issa ainda acrescenta: “Os problemas de julgamento eram grandes. Foi em um lugar neutro - Ubatuba, que os eventos conseguiram crescer. Em Saquarema a gente se sentia totalmente coagido, você tinha que dar nota porque o cara estava gritando ali. A credibilidade do evento ficava comprometida.” Problemas desse tipo dificultavam que o surf angariasse mais patrocinadores.

JULGANDO EM CADEIRÕES – OS IRMÃOS ISSA E PENHO, EM UBATUBA.
FOTO KLAUS MITTELDORF

Nem todas as situações complexas tiravam o brilho destes belíssimos campeonatos. O trecho abaixo foi tirado do BLOG DataSurf:
http://www.datasurfe.com.br/ Vale a pena dar uma navegada por ele - MUITOS RESULTADOS.

Festival de Surfe de Saquarema 76
Local: Itaúna, Saquarema (RJ)
Data: 21 a 23 de maio de 1976

Resultado
1. Daniel Friedmann (RJ)
2. Paulo Proença (RJ)
Informações complementares:
Foi a segunda edição da competição em Saquarema.
Nelson Motta organizou um festival de música - Som, Sol e Surf - que reuniu público de 30 a 40 mil pessoas; considerado o "Woodstock brasileiro". Houve apresentações de Raul Seixas, Bixo da Seda, Made in Brazil, Rita Lee & Tutti Frutti, Flamboyant, Ronaldo Rosedá y Banda e Flavio y Spiritu Santo. 
Segundo a revista Música (nº 2, julho/1976), "com cerca de dez mil habitantes, Saquarema foi sacudida de repente por 40 mil pessoas, de muitos lugares diferentes, atraídos por dois grandes acontecimentos: o 2º Campeonato de Surf, que escolheu um campeão para representar o Brasil no Havaí, e o 1º Festival de Rock (...) Rita Lee só chegou no domingo, de avião, e encerrou o festival (...) com o lançamento de músicas do novo LP (Entradas e Bandeiras) (...) Raul Seixas apresentou-se no sábado, fez uma apologia ao diabo e um discurso que sacudiu a multidão."
Rogerio Martin disse...
Este campeonato foi a minha primeira viagem para surfar, alias a minha primeira viagem sem meus Pais, tinha 14 anos na época. E a final ficou gravada em minha memória, uma disputa incrível entre Otavio Pacheco e Daniel Fridemann, o mar estava enorme, 3 metros lá na laje. Após tocar o sinal de final de bateria os dois desceram uma onda juntos e foram trocando de posição até o meio da Praia. Foi demais.

REPRODUÇÃO DE PÁGINAS DA BRASIL SURF



DE VOLTA A UBATUBA
Depois que os campeonatos de Saquarema deram um breque os eventos de Ubatuba voltaram para os últimos anos da década, com patrocínio de empresas como a US Top (Alpargatas) e da Yamaha (motos).

VISUAL ESPORTIVO NÚMERO 1
MATÉRIA DE 1 PÁGINA

Festival Brasileiro de Surf de Ubatuba (SP)

1978 Otávio Pacheco (RJ)
2º Cauli Rodrigues (RJ)
3º Ricardo Bocão (RJ)
4º Jean Noel (RJ)
5º Rico de Souza (RJ)
6º Cacau Falcão (RJ)

ITAMAMBUCA 1978, TARGÃO, CAULI E PAULO TENDAS. EXTRAÍDOS DA BRASIL SURF.

1979 Cauli Rodrigues (RJ)
 Dodo Von Sydow (SP)
3º Rico de Souza (RJ)
4º Roberto Valério
5º ?


PÓDIO DE 79, CAULI NO TOPO

1980 Paulo Rabello (SP)
Paulo “Pateta” Costa (RJ)
3º Cisco Araña (SP)
4º Paulo Tendas (SP)

PAULO RABELLO, PRIMEIRO SURFISTA DE SÃO PAULO A VENCER O FESTIVAL NACIONAL DE UBATUBA, ASSUNTO PARA CAPÍTULO FUTURO

A década de 80 e seus eventos, serão foco de capítulos futuros.
A CONSTRUÇÃO DESTE CAPÍTULO – E DE TODOS OS OUTROS QUE ENVOLVEM COMPETIÇÕES E RESULTADOS, ESTÃO SUJEITOS A UM PROFUNDO CRUZAMENTO DE INFORMAÇÕES


3 comentários:

  1. Nossa ... Muito legal o seu blog... Sou surfista...nasci em 1955, vivi essa tempo, so que, no Arpoador...Tinha uma prancha da época, uma mini-model do Parreira... de São Conrado a qual lamentavelmente me roubaram... adorei rever um pouco daquele tempo... Abraços...

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    1. Também tive uma São Conrado (tem fotos dela na quarta postagem que fiz neste blog: http://surfdragonblog.blogspot.com.br/2013/04/reliquias-preservadas.html ). Aguarde mais novidades HISTÓRICAS em breve...

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  2. Excelentes explanações, revigora as raízes do surf brasileiro.

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