sexta-feira, 26 de maio de 2017

WCT BRASIL – 10 CAMPEÕES

Adriano de Souza se consagra em Saquarema
O Circuito Mundial de Surf passa pelo Brasil desde seu nascimento com a IPS em 1976, há mais de 40 anos. Nos eventos da elite (o WCT), conquistamos apenas 10 vitórias e Adriano de Souza é o único bicampeão.

MINEIRINHO ESTAVA EM PLENA SINTONIA COM AS ONDAS DE ITAÚNA
IMAGEM RECORTADA DOS ARQUIVOS DA WSL

Esta postagem vai glorificar os surfistas brasileiros que venceram a etapa de nosso país. Em todos estes anos o domínio australiano foi notório, eles levaram 22 eventos do WCT aqui realizados, mais da metade. Dave Macaulay (Mister Brazil), é o único tetracampeão; Taj Burrow e Kelly Slater têm 3 títulos; os bicampeões são John John, Mick Fanning, Damien Hardman, Cheyne Horan, Tom Carroll e agora Adriano de Souza.  
A etapa brasileira passeou pelas praias do Rio (Arpoador, Quebra-Mar, Prainha, Barra e até triagens na Macumba); SC - Floripa (Joaquina e a Caldeira do Diabo perto do Morro das Pedras), a praia do Silveira em Garopaba, na Vila de Imbituba aconteceram eventos antológicos; SP - nosso WCT passou pelo Guarujá em Pitangueiras e por Itamambuca em Ubatuba; criou raízes na Barra da Tijuca (Barramares e Postinho) e foi ao berço espiritual de Saquarema em 2002 e agora em 2017 novamente. Todas estas passagens e eventos serão destacados nos 5 VOLUMES do livro, “A Grande História do Surf Brasileiro” que tem previsão de lançamento a partir de 2017, 2018... A produção total prevê 660 páginas com informações históricas.
E por aí vamos, ao sabor de nosso mercado e das peripécias de nossos políticos que tanto afetam nossas vidas. Não podemos crucificar totalmente o poder público que também injetou valores significativos para a concretização de grandes eventos de surf.
Mas o momento agora é de celebrar!

DANIEL FRIEDMANN, DE BRANCO E PEPÊ LOPES, CAMPEÃO DE 1976
QUEBRA-MAR DA BARRA DA TILUCA, 1977 – FOTO: FEDOCA LIMA

NOSSOS 10 CAMPEÕES DO WCT BRASIL

1976 – PEPÊ LOPES
1977 – DANIEL FRIEDMANN
1990 – FABIO GOUVEIA
1991 – TECO PADARATZ
1998 – PETERSON ROSA
1999 – ANDRÉA LOPES
2010 – JADSON ANDRÉ
2011 – ADRIANO DE SOUZA
2015 – FILIPE TOLEDO
2017 – ADRIANO DE SOUZA

Em 1977 a primeira final 100% brasileira da (atual) Liga Mundial de Surf. Naquela época a entidade se chamava IPS (International Professional Surfers) a primeira organização do surf profissional no mundo.

DANIEL FRIEDMANN EM FOTO EXTRAÍDA DO PORTAL DA ALMA SURF E QUE TAMBÉM FOI A ABERTURA DA MATÉRIA DO WAIMEA 5000 DE 1977 NA REVISTA BRASIL SURF
FOTO: KLAUS MITTELDORF

Ninguém imaginava que levaria 13 anos para um brasileiro vencer novamente uma etapa do primeiro escalão do Circuito Mundial de Surf Profissional. O autor da façanha foi Fabinho Gouveia.

CAPA DA REVISTA HARDCORE NÚMERO 17, GOUVEIA CARREGA UMA GUN NO HAWAII
FOTO: ALBERTO SODRÉ
A EDIÇÃO TRAZ A COBERTURA DO HANG LOOSE PRO CONTEST REALIZADO NO CANTO DO MALUF EM OUTUBRO DE 1990
A PRIMEIRA SEMENTE DA BRAZILIAN STORM FOI PLANTADA EM 1988, NO MUNDIAL AMADOR DE PORTO RICO. TECO & FABINHO
FOTO: BETO ISSA
 EM 1991 FOI A VEZ DE TECO PADARATZ FAZER AS HONRAS DA CASA, VENCENDO O EVENTO DA ALTERNATIVA. PEPÊ LOPES, QUE ATÉ 1990 ERA O DIRETOR DO CAMPEONATO DO RIO DE JANEIRO, NA BARRA DA TIJUCA, FALECEU EM UM ACIDENTE DE ASA DELTA NO JAPÃO EM ABRIL DE 1991, DANIEL FRIEDMANN ASSUMIU A DIREÇÃO DE PROVA A PARTIR DESTA ETAPA
FOTO: AGOBAR JUNIOR

Foram mais seis anos vendo os gringos levantarem nossa taça até que Peterson Rosa, com uma performance espetacular, com um aéreo (ainda raro em competições) em plena final do evento, levou à loucura o público na Barra da Tijuca.

CAPA DA FLUIR DE NOVEMBRO EM 1998, A ÚNICA ETAPA DO WCT NO BRASIL FOI PATROCINADA PELA MARATHON (ISOTÔNICO). A FOTO DE AÇÃO DESTA CAPA É DE UMA EXPRESSION SESSION NA EUROPA, EM LACANAU. FOTO: TONY FLEURY. O INSERT DELE ERGUENDO O TROFÉU É DE SEBASTIAN ROJAS

No ano seguinte foi a vez de Andréa Lopes vencer o Rio Marathon Surf International na Barra da Tijuca. Foi a primeira brasileira a vencer uma etapa do WCT, já na era da ASP.


ABERTURA DE MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO DE NÚMERO 122 DA REVISTA INSIDE NOW EM 1999. ANDRÉA FOI A RESPONSÁVEL POR PAVIMENTAR A TRILHA DO SURF FEMININO PROFISSIONAL PARA SUAS SUCESSORAS NA ASP: TITA TAVARES, JACQUELINE SILVA E SILVANA LIMA. FOTO DE MARCUS MENDONÇA
ANDRÉA LOPES EM CAPA DA REVISTA ALOHA (UMA PUBLICAÇÃO DA HARDCORE) EM 1998.
PUPUKEA, HAWAII, FOTO DE MARCELO PRETTO

Mais 10 anos em branco, sem nenhum de nossos surfistas desfraldar a bandeira brasileira rumo a um pódio de WCT na pátria mãe, até que Jadson André, arrebatador, venceu Kelly Slater numa final eletrizante em Imbituba.

EM 2010 OS AÉREOS INOVADORES DE JADSON FAZIAM A DIFERENÇA, O GRAU DE ACERTO DELE NESTA MANOBRA ERA FEROZ. PRAIA DA VILA IMBITUBA, ESQUERDAS LONGAS E PERFEITAS, CENÁRIO IDEAL PARA O BRASILEIRO ACELERAR E USAR SUA ARMA MORTÍFERA NA FINAL CONTRA A GRANDE ESTRELA, SLATER, NO AUGE NA ÉPOCA
FOTO RETIRADA DA COBERTURA DO GLOBO ESPORTE: DANIEL SMORIGO

Estávamos começando a engrenar de vez quando no ano seguinte o evento voltou para a Barra da Tijuca e Adriano de Souza vibrou muito e chorou ao lado da torcida brasileira, momento emocionante que foi escalado para ser uma das fotos da capa do VOLUME 1 dos livros que comporão “A Grande História do Surf Brasileiro”.

PROPOSTA DE CAPA DO LIVRO COM ARTE E PROJETO GRÁFICO DE FERNANDO MESQUITA
ADRIANO DE SOUZA, DE LYCRA AZUL, ERGUENDO A PRANCHA \ TROFÉU, NO BILLABONG RIO PRO DE 2011
FOTO: BASÍLIO RUY

VEJA TODOS OS CRÉDITOS DAS FOTOS DESTA CAPA EM: WWW.HSURFBR.COM.BR

Na década de 10 os surfistas brasileiros entraram de sola e começaram a conquistar pódios seguidos. Uma de nossas estrelas, Gabriel Medina, ainda busca uma vitória no WCT brasileiro, embora tenha vencido o HD Pro Junior World Championships de 2013 na praia da Joaquina. Em 2015 a vitória de Filipe Toledo no Postinho da Barra da Tijuca foi o evento de surf com maior cobertura na mídia brasileira – todos os tipos de veículos. E a torcida brasileira fez a diferença.

REPRODUÇÃO DA REVISTA SURFAR. FILIPINHO E A GALERA EM 2015.
MOMENTO MARCANTE REGISTRADO POR PEDRO TOJAL

A expectativa é que as praias de Saquarema, renomadas pela consistência, poder, perfeição e qualidade de suas desafiadoras ondas, permaneçam como a sede do WCT brasileiro. O point de Itaúna foi o palco ideal para Adriano de Souza se transformar no primeiro bicampeão brasileiro da etapa da WSL. Nosso “Maracanã”, para os surfistas desfilarem sua categoria.

VISÃO AÉREA DE ITAÚNA DURANTE O OI RIO PRO 2017
IMAGEM RECORTADA DA COBERTURA DA SURFLINE, FOTO: SEBASTIAN ROJAS

Saquarema e especificamente a praia de Itaúna proporcionou eventos épicos para o surf brasileiro e internacional, decidiu campeões nacionais e impressionou surfistas dos quatro cantos do globo. Os maiores surfistas que o Brasil já formou, treinaram, graduaram-se e venceram eventos em Itaúna.

OTÁVIO PACHECO, RICARDO BOCÃO, RICO DE SOUZA E CAULI RODRIGUES PRONTOS PARA ENCARAR AS ONDAS DE ITAÚNA EM 1978, QUANDO AINDA NEM EXISTIA UM CIRCUITO BRASILEIRO. CAULI FOI O VENCEDOR DE 1978 EM EVENTO PATROCINADO PELA ALA MOANA
FOTO: FERNANDO “FEDOCA” LIMA

AUTO-RETRATO (SELFIE) DO MAIS LONGEVO FOTÓGRAFO, ATIVO DESDE OS TEMPOS DA SAUDOSA BRASIL SURF – FERNANDO MENDONÇA LIMA, ITAÚNA 2017.
NÃO É À TOA QUE FEDOCA É O ÚNICO FOTÓGRAFO AUTOR DE 2 FOTOS NO PROJETO DA CAPA DO LIVRO EXIBIDA ACIMA
FOTO: FEDOCA

Depois de muitas histórias voltamos à realidade do momento. Os surfistas da elite passaram por Saquarema e seguem para Cloudbreak em Fiji. Mais adrenalina e emoção. A história do surf brasileiro continua a ser escrita e um grande ingrediente do Oi Rio Pro 2017 foi a performance do wildcard Yago Dora.

YAGO DORA DE BACKSIDE, OU DE FRONT, DEU SHOW EM ITAÚNA
FOTO: FEDOCA LIMA. IMAGENS DE FEDOCA RECORTADAS DO SITE RICOSURF

A performance de Yago, derrotando três campeões mundiais no processo, valeu um novo convite de wildcard para o OuterKnown Fiji Pro, patrocinado pela marca de Kelly Slater que entra para ajudar a bancar a mais cara e glamorosa etapa da WSL.
Para finalizar, vejam essa imagem que recortei de uma matéria recente no site da WSL (tradução logo abaixo como legenda da foto).

NA FOTO A CHAMADA DIZ “DORA TIRA JOHN JOHN FLORENCE”, DESTACANDO QUE O WILDCARD DO OI RIO PRO FORÇOU A SAÍDA MAIS PREMATURA DO ATUAL CAMPEÃO MUNDIAL NESTA TEMPORADA, NO ROUND 3. MAIS INTERESSANTE AINDA É A DECLARAÇÃO DE MICK FANNING QUE VEM NO TEXTO LOGO ABAIXO DA FOTO
FANNING, QUE FOI UM DOS CAMPEÕES MUNDIAIS DERROTADOS POR YAGO DURANTE O OI RIO PRO, AO LADO DE MEDINA E JJ FLORENCE, DISSE SOBRE YAGO: “ESSE GAROTO NÃO É BRINCADEIRA, ELE É UM GRANDE SURFISTA E O FATO DE TER DERROTADO TANTOS CAMPEÕES MUNDIAIS, DA FORMA COMO ELE FEZ, DEVEMOS FICAR ESPERTOS. ACHO QUE ELE TERÁ UM FUTURO BRILHANTE. FICO EXCITADO COM ISSO, GOSTO DE VER QUANDO APARECEM ESTES SURFISTAS JOVENS EM ASCENSÃO E ATIRAM UM GATO NO MEIO DOS POMBOS.”
A REPORTAGEM SOBRE YAGO DORA FECHA COM A EXPECTATIVA DE BOAS ONDAS PARA A ETAPA DE FIJI, QUE TERÁ INÍCIO NO DIA 4 DE JUNHO PARA OS HOMENS E ANTES AINDA PARA AS MENINAS
IMAGEM RECORTADA DO SITE DA WSL


Aguardem para breve a segunda parte da entrevista que fiz com o legendário surfista Maraca, em minha última viagem a Saquarema (agosto de 2015), com destaque para o relato de um mar gigante que ele surfou no Baixio de Copacabana. Preservar histórias, imagens e fatos que dão gosto de ler e conhecer. Este é o objetivo deste blog.

Nenhum comentário:

Postar um comentário